Archive for the ‘Trigo’ Category

The Mummy (1959)

6 Abril, 2008

“For the last time, please stop what you’re doing and leave this place!”
“And for the last time, kindly mind your own business.”

Um filme de Terence Fisher, escrito por Jimmy Sangster, com Peter Cushing e Christopher Lee. Trailer.

A Criatura, o Drácula, a criação de Frankenstein, a Múmia, o que têm todos estes em comum? São monstros… apaixonados.

É curiosa esta tendência de dar às feras um lado sensível, e até serve de óptimo pretexto para contratar uma bela actriz e fazer a típica cena em que a donzela desmaia e o monstro a carrega nos braços até ao seu esconderijo secreto. Neste filme a fera sensível é interpretada por Christopher Lee, o constante vilão, que merece aqui ser destacado acima do seu eterno rival de ecrã, Peter Cushing, por dois motivos:

a) passa o filme todo vestido com uma fralda de corpo inteiro, que o faz andar de uma forma muito engraçada. É uma fralda muito convincente, tendo em conta que se estava na década de 50, mas não dá para conter o riso quando a múmia sai do pântano pela primeira vez, naquele andar desajeitado de que não dobra os joelhos. Apesar disto, continua a ser impressionante ver Lee partir portas e irromper janelas adentro como um selvagem.

b) a única parte do corpo de Lee que não está tapada pela fralda gigante são os olhos, e é quase exclusivamente através deles que percebemos a complexidade sentimental do monstro. Christopher Lee é um grande actor — só precisam de ver a intensidade daquele olhar. É incrivelmente triste…

A marca Hammer é evidente em todos os pormenores do filme, logo desde a primeira cena: é o Egipto mais falso que se possa imaginar, evidentemente uma cena de estúdio, com algusn figurantes para dar um ar mais autêntico (através de acções como martelar pedras sem qualquer razão aparente). Mas tudo o que é tosco nesta produção não pode ser visto como nada menos que carinho. Isto é o low budget britânico das décadas de 50 e 60 na sua forma mais pura.

E há que lhes dar algum crédito por terem contratado um egípcio autêntico (ou que parece autêntico), completo com chapéuzinho vermelho (também parece genuíno), que recita pragas assustadoras na língua antiga (ou algo parecido) e mantém um diálogo com a personagem de Cushing que é uma bela coisa de se ouvir: espicaçam-se um ao outro como se as palavras fossem lanças.

Não se pode cair na ilusão de achar que A Múmia vai agradar à maioria dos espectadores de cinema dos dias de hoje. Não vai. Mas é incontornável para quem gosta de uma história em tons góticos e para cinéfilos dedicados. Aqui, mais ainda do que em Drácula, percebe-se porque é que Hammer é sinónimo de clássico.

Save The Green Planet! (2003)

29 Março, 2008

Não mintas! Eu sei muito bem quem tu és. És um alien!

Um filme de Joon-Hwan Jang, escrito pelo próprio, com Ha-kyun Shin, Yun-shik Baek e Jeong-min Hwang. Título Original: Jigureul Jikyeora! Trailer.

421px-save_the_green_planet_poster.jpgJoon-Hwan acordou certa manhã com vontade de algo diferente. Então pôs na misturadora a trilogia de vingança de Chan-wook, O Príncipe do Egipto, alguns episódios da Twilight Zone, uma mão decepada, e dois ou três filmes de ficção científica de segunda categoria. Depois ainda juntou A Evolução das Espécies, e uma comédia absurda só porque sim – estava a sentir-se aventureiro. A papa resultante foi trabalhada à boa maneira coreana e deixada a secar de um dia para o outro. E o que nos chega hoje na conveniente forma de DVD – mas não em Portugal; cá não há nada para ninguém – é Save the Green Planet!, um filme estranhamente cativante.

Byeong-gu é o nosso herói, que vive atormentado pela responsabilidade de ser o único humano à face da Terra que conhece o terrível plano dos aliens para destruir o planeta e todos os seus habitantes. Ajudado pela sua dedicada namorada, Su-ni, Byeong-gu aponta todas as suas descobertas e cálculos, incluindo detalhes sobre todos os aliens que desmascara – isto porque os andromedianos podem assumir forma humana e viver disfarçados entre nós. Byeong-gu sabe que só existe uma maneira de lidar com estes intrusos: raptá-los e prendê-los na sua cave até que admitam a sua verdadeira natureza ou sucumbam. Tudo vai bem até ao dia em que captura Kang, um alien de tremenda importância, tanto em Andromeda como na Terra. Kang vai revelar-se uma grande carga de trabalhos…

Save the Green Planet! é de tal modo desregrado que espectadores menos precavidos correm o risco de ficar perdidos em frente ao ecrã. É que este filme tanto podia ser uma simples paródia como um drama poderoso como um sci-fi de argumento duvidoso. E no fundo é tudo isto mas melhor: mais inteligente… e bastante mais parvo também. É legítimo perguntar se Joon-Hwan alguma vez levou a sério o seu projecto, e se sim porque é que incluiu uma cena com um polícia a balear abelhas.

No entanto fazer essa pergunta é desviarmo-nos do ponto em questão, porque mesmo nas situações mais parvas e de desenho animado, Joon-Hwan consegue ser tão inovador, por vezes até poético, com o seu mise-en-scène e truques de câmara que tudo se torna aceitável. Save the Green Planet! é um filme arriscado (os asiáticos tendem a safar-se muito bem com coisas destas), é selvagem e incongruente, absurdo e caricato. Mas funciona. Surpreendentemente, funciona.

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Parents (1989)

27 Março, 2008

“What’s this we’re eating?”
“Leftovers.”
“We’ve been eating leftovers ever since we moved. I wanna know what they were before they were leftovers.”
“They were leftovers-to-be.”

Um filme de Bob Balaban, escrito por Christopher Hawthorne, com Randy Quaid, Mary Beth Hurt e Bryan Madorsky.

ParentsOs pais do pequeno Michael são duas criaturas sinistras. A mãe é uma dona de casa muito dedicada à cozinha, onde prepara refeições elaboradíssimas. O pai faz sabe Deus o quê o dia todo e quando chega a casa gosta de assustar o filho com a sua austeridade e de comer as carnes que a mulher prepara. E aqui está um dos pormenores horríveis desta família: comem tanta carne! Ao pequeno-almoço, ao almoço, ao lanche, ao jantar, antes de dormir, só carne, carne, carne, é absolutamente nojento.

Portanto não é de estranhar que Michael tenha pesadelos. Com carne. Michael é um miúdo estranho, mas a sua estranheza é inteiramente fruto das circunstâncias. Se duvidam, vejam: o pai conta-lhe coisas como a receita da invisibilidade (que consiste em chupar ossos de gato preto assado vivo no forno) e histórias sobre um menino mal-comportado que cresceu e se tornou um homenzinho triste e egoísta; a mãe dá-lhe quantidades obscenas de carne e diz-lhe “sai daqui, Michael” de uma forma tão maternal que faz lembrar Freddy Krueger; conduzem um “oldsmobile” e os dois fazem coisas esquisitas a meio da noite com “roupa lavada” e quantidades suspeitas de algo extremamente parecido com sangue.

Como é que Michael pode ser um rapaz normal? Pois bem, não é, mas não é o único. Sheila, sua colega de turma, diz que veio da Lua, onde não há pais, e pretende voltar quando acabar a escola – e levar Michael com ela. Os dois desenvolvem uma capacidade extraordinária de se meter em sarilhos, sarilhos que vão aproximar Michael da verdade sobre os seus pais.

Parents tem uma premissa interessante, mas é o primeiro feature de Balaban e isso nota-se. Há uma certa confusão em alguns planos, que aparecem no ecrã como intrusos num conjunto, e várias imprecisões lógicas na acção que se tornam particularmente irritantes nalgumas cenas, como aquela em que o pai parece ficar surdo e cegueta e não dá pela presença evidente de Michael, o jovem peeping-tom-to-be.

É interessante como uma criança inexpressiva funciona tão bem num filme deste tipo. Neste campo, Madorsky promete; tem um ar perpetuamente triste e sério, que assenta em Michael como uma luva. É pena que não tenha feito mais filmes. No geral, Parents é um filme comme ci comme ça, mas tem o seu humor negro e satisfaz os desejos básicos de quem procura um filme de terror: uma atmosfera inquietante q.b. com um ou dois sustos pelo meio. Convém é dizer que é tudo muito campy.

E a moral da história? Meat is murder – muito literalmente.

Red Dragon (2002)

27 Março, 2008

Do you dream much, Will?

Um filme de Brett Ratner, escrito por Ted Tally adaptado do livro de Thomas Harris, com Anthony Hopkins, Edward Norton e Ralph Fiennes. Título português: Dragão Vermelho. Trailer.

Dragão Vermelho é a “prequela” de Silêncio dos Inocentes. A história passa-se antes de Hannibal conhecer Clarice, mas depois da sua captura. O agente que desmascarou os crimes canibalescos de Hannibal é William Graham, que está agora a trabalhar no caso da Fada dos Dentes, um assassino perverso com uma tendência para morder as suas vítimas.

Silêncio dos Inocentes focava-se em Clarice e na sua relação com Hannibal. Já neste filme, Brett Ratner decidiu mostrar-nos antes a psicologia da Fada dos Dentes através dos olhos do próprio. O efeito funciona: pode não haver simpatia, porque afinal de contas o homem é louco e assassino, mas há certamente empatia.

A Fada dos Dentes, Mr. D para os amigos, é o mistério que Dragão Vermelho nos propõe desvendar. O que é que motiva um homem assim? Traumas de infância, claro, mas há mais que isso, e O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol, uma das pinturas mais famosas de William Blake, está no cerne da questão. Aos poucos o véu é levantado se a sua demente luta interna é exposta. Mr D. cede ou não? E comer papel vai ajudar? São algumas das coisas que ficamos com vontade de saber. Mas tudo acerca de Mr D e das suas “transformações” é intrigante.

Hannibal também o é, e surge aqui mais maquiavélico do que no episódio anterior. A relação que o canibal estabelece com Will está longe de ser parecida como a de Clarice. Will é bastante mais resistente, não se entrega às seduções de Hannibal e irrita-se com os seus enigmas. É refrescante saber que se conseguiu fazer uma segunda parte de um sucesso sem cair na perigosa tentação de fazer “mais do mesmo”.

Há paralelos, claro, mas são mais ao nível da imagem, que permanece simbólica, do que da história. Quem viu o primeiro filme vai reparar que embora Crawford esteja bastante diferente, aquele quadro onde afixa os pormenores da investigação continua intacto, e apesar de Dr. Chilton também ter mudado, a cena em que conduz Will até Hannibal pela primeira vez é bastante reminiscente da filmada uns anos antes com Jodi Foster. São pequenas atenções que agradam a quem viu o primeiro filme, sem cansar o espectador com citações e referências.

Dragão Vermelho aguenta-se sem o amparo do irmão mais velho e afirma-se como um apetecível festival de suspense, polvilhado aqui e ali com alguns pormenores engraçados (comecem por procurar Jaws). É um filme carismático, e acima de tudo, a encarnação daquilo que é um verdadeiro thriller policial. Recomenda-se.

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Barbarella (1968)

13 Março, 2008

The password will be Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch.

Um filme de Roger Vadim, escrito pelo próprio e por Terry Southern, adaptado da banda desenhada de Jean-Claude Forest. Com Jane Fonda, John Phillip Law e David Hemmings. Trailer disponível aqui.

Mas que banda sonora! Começar um comentário a um filme B com elogios profusos à música é capaz de ser invulgar, mas neste caso não dá mesmo para começar por outro lado. A banda sonora de Barbarella é tão gira que parece de outro mundo. A sonoridade não podia ter vindo de nenhum outra década que não os psicadélicos anos 60. Às vezes é cacofónica, outras aparvalhada, mas sempre muito agradável a ouvidos destemidos. Bom trabalho, Bob Crewe e Charles Fox!

Esta maravilha sonora acompanha as aventuras de Barbarella, enviada pelo Presidente da Terra numa missão de resgate. Na sua busca por Durand Durand (o nome é capaz de vos ser familiar), Barbarella encontra vários perigos e inimigos, e também alguns amigos, entre os quais Pygar, o anjo cego que já não sabe voar.

Barbarella é um clássico dos filmes B. É um filme de culto e com boa razão, porque Barbarella ou se adora ou se odeia. (Não) surpreendemente, há mais gente a odiá-lo do que a proclamá-lo como obra-prima. A própria Jane Fonda diz que fez outros papéis muito mais interessantes que Barbarella. É verdade, ainda que rapazes pubescentes queiram discordar — quantos filmes de Jane Fonda começam com um strip em gravidade zero? Barbarella é bem capaz de ser o único.

Se parece então que este é um daqueles filmes em que a criatividade foi toda investida em novas formas de mudar a roupa de Jane Fonda de um vestido curto para um fato justo, então não se está muito longe da verdade. E como low budget que é temos ainda direito aos pequenos artifícios revelados no ecrã, como a máquina de fumo visível ou o estranho aparelho escondido nas asas de Pygar durante os seus voos. Mas a graça de Barbarella é ser um filme que não se leva a sério. É divertido, educativo (porque se aprende a palavra Llanfairpwllgwyngyllgogerychwyrndrobwllllantysiliogogogoch) e cheio de homenagens (vejam-me aqueles pássaros), tudo à volta de uma mulher emancipada, Barbarella, rainha da galáxia.

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Diz-se por aí que há planos para um remake de Barbarella. Estou a cruzar os dedos para que nunca se concretize, mas se tudo correr mal e a ideia for para a frente, quem gostariam de ver na pele de Barbarella?

To Die For (1995)

22 Fevereiro, 2008

Being on television makes you a better person.

Um filme de Gus Van Sant, escrito por Buck Henry, adaptado do livro de Joyce Maynard, com Nicole Kidman, Joaquin Phoenix, Alison Folland e Casey Affleck. Título português: Disposta a Tudo. Trailer.

Não é um filme sobre miúdos, como podemos antecipar ao ler “um filme de Gus Van Sant”, mas Disposta a Tudo também é sobre miúdos, nomeadamente Jimmy, que não joga com o baralho todo, Lydia, que é bem tratada pela vida, e Russell, que, enfim, é um rapaz adolescente numa pequena aldeia americana. Mas acima de tudo, Disposta a Tudo é sobre a criança-adulta Suzanne Stone. O maior desejo, aliás, o único desejo de Suzanne é estar na televisão. Porque estar na televisão torna as pessoas melhores. E porque, sejamos honestos, de que vale fazer seja o que for se ninguém estiver a ver?

Disposta a Tudo é uma espécie de mockumentary, um falso documentário sobre Suzanne e o caso da morte de Larry Moretto, o seu marido. Antes de conhecer Larry, Suzanne não passava de um pote de sonhos na demanda por uma carreira de sucesso na televisão. No entanto, depois do casamento decide trabalhar a sério para conseguir o que quer. É assim que consegue o posto de apresentadora do boletim metereológico, e corre tudo bem até Larry se atravessar no seu caminho e ter de ser despachado por três miúdos.

Disposta a Tudo é um filme menos introspectivo do que Elephant ou o recente Paranoid Park, mas nem por isso menos profundo. Suzanne é mais um estudo sobre a obsessão com a celebridade do que uma caricatura. Na sua mente infantil, todas as câmaras e todos os flashes se dirigem a ela. Ela é uma pura narcisista, e o seu comportamento é quase autista — e é aqui que Disposta a Tudo vai beber muito do seu humor (bastante negro, por vezes). Ninguém chega realmente a perceber Suzanne, e ela não percebe nenhum dos que a rodeiam. Ela é uma extra-terrestre em Little Hope, uma celebridade-to-be numa aldeia americana. E quantos não há como ela?

Nicole Kidman é perfeita neste papel. Fria e manipuladora, mas ao mesmo tempo doce e inocente, Nicole mostra aquilo que Suzanne realmente é: a ambição personificada numa criança-adulta. A outra performance de relevo em Disposta a Tudo é de Joaquin Phoenix, aqui no princípio da sua carreira. Há uma genuidade quase perturbadora no seu retrato das limitações e obsessões de Jimmy.

Disposta a Tudo é um filme interessante, não só por este estudo de personagens, mas pela maneira como o filme se constrói e estuda a si próprio. As entrevistas, entrecortadas com o pitch de Suzanne para Hollywood, recortes de jornal, flashbacks e flashforwards, imagens multiplicadas, e uma data de outros artifícios que Van Sant tem na manga, tornam Disposta a Tudo um filme que vale a pena ver. E o final definitivamente não desaponta: é belo e macabro, quase saído directamente da Nona Onda.

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Sinbad and the Eye of the Tiger (1977)

20 Fevereiro, 2008

A maior aventura de Simbad!

Um filme de Sam Wanamaker, escrito por Beverley Cross, com Patrick Wayne, Jane Seymour e Margaret Whiting.

Sinbad and the Eye of the TigerSimbad e o Olho do Tigre é uma pequena pérola dos anos 70. No campo das aventuras há poucas mais fantásticas que esta – com telepatia, bruxaria, tigres dente-de-sabre, minotauros robóticos e trogloditas já incluídos.

Tudo começa quando Simbad atraca em Charak, cidade da sua amada princesa Farah, e se inteira da situação caótica em que a cidade está mergulhada. Depois de sobreviver a uma tentativa de assassinato e ao ataque de monstros infernais, Simbad decide começar uma nova viagem em busca de algo que possa ajudar o pobre príncipe Kassim, que se encontra reduzido à condição de babuíno graças às bruxarias de Zenobia.

Comecemos por falar desse extraordinário babuíno. Felizmente não é usado um animal verdadeiro, mas sim uma recriação artificial, animada em stop-motion. O efeito é impressionante. Está longe de ser uma ilusão perfeita, como as imagens geradas por computador de hoje em dia, mas não deixa de ser bastante satisfatória. Há imensas outras criaturas nesta aventura de Simbad, todas elas bem mais excepcionais que um simples babuíno, e todas elas muito bem animadas, especialmente se tivermos em conta a altura em que o filme foi feito, e estivermos por isso dispostos a perdoar alguns pormenores pitorescos, como o facto de o grande tigre dente-de-sabre ser feito de peluche.

Ou talvez o peluche seja antes um factor positivo. As cenas de acção são bastante envolventes, mas diferem em pouco daquilo que qualquer miúdo de sete anos recria no seu quarto com dois brinquedos. Eye of the Tiger é bastante genuíno nesta imitação do imaginário infantil e não tem medo de ser exuberante nas suas criações, quase estapafúrdio até, no desenvolvimento da aventura de Simbad. Quando pensamos que nada mais surpreendente pode acontecer aos nossos heróis, zás! aparece uma morsa gigante! Ou um mosquito gigante e maquiavélico! Ou, melhor ainda, um troglodita cavalheiro!

É fácil imaginar o quanto Cross e Wanamaker se devem ter divertido a arquitectar tudo isto. Não há limitações do real ou da lógica, apenas da imaginação, e o resultado é uma estupenda aventura, surpreendente e brincalhona. Simbad and the Eye of the Tiger vê-se como um jogo de faz-de-conta, uma brincadeira de miúdos, um reviver da infância. É nada mais nada menos que uma fantasia intrépida, repleta de magia e monstros fantásticos. Resumindo, é o filme perfeito para qualquer criança, seja qual for a idade.

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She’s the Man (2006)

16 Fevereiro, 2008

Speaking as a completely objective third party observer with absolutely no personal interest in the matter…

O Duke gosta da Olivia que gosta do Sebastian que na verdade é a Viola cujo irmão namora com a Monique que por isso detesta a Olivia que anda com o Duke para fazer ciúmes ao Sebastian que na verdade é a Viola que gosta do Duke que pensa que ela é um rapaz.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Andy Fickman, escrito por Ewan Leslie, Karen Lutz e Kirsten Smith, com Amanda Bynes e Channing Tatum. Inspirado pela peça “Twelfth Night” de Shakespeare.
Título Português: Ela é… Ele!

Este filme tem a tagline mais genial de sempre (ver sinopse). É provável que não tenham percebido nada (aquilo no filme faz sentido, a sério). Mas, se forem como eu, isso só aguçou a curiosidade de ver o filme. Conselho de amiga: vejam! She’s the Man faz parte daquela espécie rara de comédias que têm mesmo piada do princípio ao fim.

A história é simples, até. Viola gosta de futebol. Quando deixa de haver equipa feminina na escola (e não a deixam jogar na dos rapazes), o que é que Viola pode fazer? Fingir ser o irmão gémeo e jogar na equipa da escola dele, claro. O rapaz que Viola encarna não é mais do que uma caricatura, a versão daquilo que ela acha que um rapaz é. E se a nós nos parece demasiado exagerado, as outras personagens caem que nem uns patinhos… Agora imaginem a quantidade de situações que se podem gerar a partir daqui. Temos de tudo, e vão desde o engraçado ao hilariante, desde problemas triviais como tomar banho depois do treino ou explicar os tampões na mochila, a problemas mais complicados como estar no mesmo sítio ao mesmo tempo enquanto Sebastian e Viola, passando pelo inevitável triângulo (pentágono?) amoroso.

Será que esta história é verosímil? Claro que não. Não é agora, e provavelmente também não era no tempo de Shakespeare. Mas isso nem sequer chega a interessar. Primeiro porque Amanda Bynes é extremamente convincente na sua caricatura (prevejo uma boa carreira aqui), e segundo porque o filme é demasiado engraçado para nos ocuparmos a encontrar defeitos.

Até mesmo no final, quando o nó se desfaz com aparente facilidade, não existem grandes falhas às quais apontar o dedo. É um guião bem pensado em termos de estrutura e diálogos, e vejam só que eu, outrora desprovida de fé no uso cómico da expressão facial (graças a um tal Jim Carrey), aqui me encontro reconvertida.

She’s the Man é precisamente aquilo que promete ser: duas horas de boa comédia. Fãs de Ginger Snaps vão encontrar um bónus especial…

The Simpsons Movie (2007)

16 Fevereiro, 2008

Now remember kids, when you meet Jesus be sure to call him Mr. Christ.

É uma cena mesmo à Simpsons.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De David Silverman, escrito por James L. Brooks e Matt Groening, com vozes de Dan Castellaneta, Julie Kavner, Nancy Cartwright e Yeardley Smith.

Depois de tanto alarido, estava à espera de algo extraordinário. Algo nunca antes visto no grande ecrã, algo mesmo muito bom. Expectativas demasiado altas nunca ajudaram ninguém.

O filme tem piada. Mas há filmes que têm mais piada. O que é que faz deste filme dos simpsons “o melhor de sempre”? A resposta é uma: fãs loucos. Não que uma adoração cega seja uma coisa muito má, mas sejamos honestos, The Simpsons Movie é só mais um episódio da série. Um episódio muito comprido. Um episódio que alguém decidiu que ia passar no cinema em vez de passar na televisão.

E agora que vimos um episódio comprido, serei eu a única a achar que é melhor que se fiquem por episódios de tamanho normal? Um dos problemas de se esticar um episódio é que também se tem que esticar o enredo, e é preciso um número muito maior de gags. O enredo não é propriamente importante num filme dos Simpsons, mas as piadas são, e apesar de terem qualidade não são nada de outro mundo. Uma pessoa ri, sim, mas… Aliás, algumas até são bastante despropositadas. “I like men now”?

Não fiquem com a impressão que não gostei do filme. Houve momentos que até gostei bastante, como a apresentação “Uma Verdade Irritante” da Lisa, e o amigo-namorado irlandês (com um sotaque irlandês autêntico e muito querido) da Lisa. Não sei se já disse, mas a minha personagem favorita é a Lisa. Achei graça ao momento “Disney” com os animaizinhos. Não gostei da primeira palavra da Maggie (“sequel”, para quem não viu os créditos até ao fim).

The Shawshank Redemption (1994)

16 Fevereiro, 2008

So when Andy Dufresne came to me in 1949 and asked if I could smuggle Rita Hayworth into the prison for him, I said no problem.

Andy Dufresne é condenado a prisão perpétua e enviado para Shawshank. Aí conhece Red, o tipo que te arranja tudo, e com o passar do tempo ficam amigos. É uma história de redenção, e acima de tudo, esperança.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Frank Darabont, escrito pelo próprio, com Tim Robbins e Morgan Freeman. Adaptado de uma história de Stephen King, Rita Hayworth and Shawshank Redemption.
Título Português: Os Condenados de Shawshank

Shock! Horror! Suspense!: The Shawshank Redemption está cheio de horrores, violência e crueldade. Mas, tal como diz Stephen King no livro, “Hope Springs Eternal”. Apesar de todas as coisas más, esta acaba por ser uma história muito bonita, com uma excelente mensagem e personagens inesquecíveis.

Aplausos: Um grande, grande aplauso para Frank Darabont, pela maravilhosa adaptação. Tirando a questão de Red, todas as mudanças feitas à história de S. King foram muito bem pensadas e conseguem até melhorar o original, coisa que nunca pensei dizer de nenhum filme baseado numa história de Stephen King.

Queixas: Fiz questão de ler o livro primeiro, portanto já tinha uma ideia das personagens. No livro, Red é um irlandês, ruivo e tudo. Por isso quando vi Morgan Freeman é compreensível que tenha achado que aquilo era tudo uma grande intrujice. Depois habituei-me, mas continuo sem perceber a razão da mudança, até porque depois ignoraram problemas como o racismo. Uma prisão sem racismo?

Comentário: É difícil não gostar de The Shawshank Redemption. É um filme bastante acessível, e apesar de os acontecimentos não estarem disfarçados com adoçante artificial, há justiça, e a justiça põe sempre toda a gente bem disposta.
Este filme ganha muito com o elenco. Bob Gunton surpreendeu-me pela positiva. Mas o grande trunfo é mesmo a história. Alguém duvidava da capacidade de Stephen King?