Archive for the ‘Joio’ Category

Horror of Party Beach (1964)

3 Abril, 2008

It’s a giant protozoa!

Um filme de Del Tenney, escrito por Richard Hilliard, com John Scott, Alice Lyon e Allan Laurel. Trailer. Este filme encontra-se no domínio público.

Horror of Party Beach é um filme quase mítico na sua categoria. Auto-proclama-se “o primeiro musical de monstros” e promete “estranhos monstros atómicos que se alimentam de sangue humano!!!”, monstros esses que se tornaram um autêntico ícone entre os fãs de filmes de culto, provavelmente por serem uma criação bastante ridícula: um primo da Criatura da Lagoa Negra num bad hair day com a boca cheia de cachorros-quentes. Seria interessante ver alguém vestido assim no Carnaval… Estes monstros formaram-se a partir de esqueletos no fundo do mar que se tornaram mutantes mortos-vivos depois de entrarem em contacto com material tóxico que foi despejado no mar.

O filme começa numa festa de adolescentes na praia. Antes que aconteça seja o que for notamos num pormenor: todos os adolescentes na festa parecem um pouco… bem, um pouco velhos. A actriz principal podia perfeitamente fazer de mulher do actor que faz de seu pai neste filme, e o herói da fita está a ficar careca, problema muito comum entre rapazes de 17 anos.

A primeira vítima dos monstros é uma rapariga tola que decide ir nadar sozinha. A certa altura pára para descansar numas rochas, o monstro aparece e ela morre. Esta cena é uma desgraça. Está tudo muito mal enquadrado, com detalhes deixados “pendurados” num grande atabalhoamento, com uma grande barulheira a servir de banda sonora. Isto é recorrente ao longo do filme: todos os ataques são acompanhados pela cacofonia mais desajeitada que se possa imaginar.

Outra coisa recorrente – e irritante – são as partes “musicais”. Quando li “monster musical” pensei numa espécie de Little Shop of Horrors, mas o lado musical de Party Beach consiste em músicas ligeiras tocadas pela banda da festa. Sim, leram bem. O filme está entrecortado por números musicais da banda, que toca na praia e no bar da praia. Os membros da banda não fazem parte da história. É… Nem sequer há palavras para descrever isto.

Acho que foi tudo uma tentativa de prolongar o filme, já que a história em si é contada em mais ou menos meia hora. Assim sendo, o realizador decidiu incluir, para além da banda, sketches “cómicos” ao estilo Malucos do Riso protagonizados por personagens que nunca mais voltam a aparecer. As piadas vão desde o péssimo ao horrendo, e o resto do guião vai pelo mesmo caminho, com erros lógicos e científicos para dar e vender.

Os filmes de culto podem ser muito bons (Barbarella) ou muito maus (Basket Case). Mas este transcende a escala – é o fundo do poço, o pior dos piores, o maior desperdício de tempo e filme à face da Terra, péssimo até mesmo dentro dos padrões dos filmes B. Evitem qualquer contacto com Horror of Party Beach.

0 ratos na cave

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Sweeney Todd (2007)

10 Março, 2008

How about a shave?

Um filme de Tim Burton, escrito por John Logan, a partir do musical de Stephen Sondheim, com Johnny Depp, Helena Bonham Carter, e Alan Rickman. Título português: Sweeney Todd – O Terrível Barbeiro de Fleet Street. Trailer.

Os musicais são tão raros hoje em dia que é sempre ocasião para festa quando aparece um. E quando é um musical de terror, um musical de terror trágico, por Júpiter, estarei a sonhar? Parece bom de mais para ser verdade. O problema é que é mesmo. Não há rosas sem espinhos, é um facto.

Comecemos pelo bom. A história. Sim, sim, a história é óptima, é trágica, é macabra, é horrível, é maravilhosa, é precisamente aquilo que esperamos de Tim Burton e exactamente aquilo que devia sair de Hollywood mais vezes. Há amor, traição, vingança e canibalismo involuntário – uma receita para o sucesso, especialmente nas mãos de Tim Burton, que sabe embrulhar Sweeney, Mrs Lovett e as suas vítimas numa atmosfera de escuridão sinistra muito gótica.

Mas no meio disto tudo, Burton decide dar um toque do surreal ao visual do filme. O sangue é espesso e brilhante, e algumas superfícies e texturas têm obviamente o dedo mecânico de um computador. E se esta ideia aplicada à violência foi muito bem conseguida, no resto já não tenho tanta certeza. Faz lembrar um pouco aqueles primeiros desenhos animados inteiramente feitos a computador, que tinham sempre um ar desajeitado e falso. Isto é o mau.

Agora o horrível… O horrível é simplesmente atroz! Aquela tentativa de cantoria por parte de Depp e Bonham Carter é terrível. Não há sequer uma maneira delicada de o dizer: este elenco não sabe cantar, ponto final.

O problema não está na música e muito menos nas letras, que têm momentos de pura genialidade (A Little Priest é talvez o melhor exemplo). Mas são trucidadas pelas vozes. The Worst Pies in London, a música de apresentação de Mrs Lovett, é uma óptima ilustração desta ofensa. Devia ser um dos pontos altos do filme, tanto na sugestão de um ambiente como em comédia, e no entanto é abortada pelos guinchos e gemidos de Bonham Carter.

Depp consegue ser um pouquinho melhor. Tem uma voz suficientemente grave e carismática para nos convencer da vilania de Sweeney, mas não é capaz de a adaptar para exprimir nenhuma emoção. Este é o ponto fulcral de um musical: que seja a música a emocionar o espectador. Como quando Julie Andrews transborda alegria ao enumerar as suas coisas preferidas, ou quando Ted Neeley alterna entre profunda angústia, raiva e resignação no Getsémane, ou ainda quando Madonna pede à Argentina que não chore.

É preciso haver o mínimo de elasticidade na voz de um actor num musical, porque isso é tão importante quanto a expressividade física de um actor em qualquer outro filme. Ver Johnny Depp fugir às notas difíceis ou ouvir Helena Bonham Carter consistentemente a falhá-las todas é tão estimulante como assistir à performance de alguém com muito botox na cara e um caso crónico de prisão de ventre.

Talvez Burton tivesse acertado na coisa se não estivesse tão acorrentado à sua musa e ao seu muso. Era provável que sim, porque esteve lá perto com Jamie Bower, um querubim muito afinadinho, com Ed Sanders, um rapaz de extremo potencial, e ainda com Jayne Wisener, que possui uma voz extremamente agradável ainda que lhe falte alguma robustez. De resto, Sacha Baron Cohen é uma agradável surpresa: está absolutamente irrepreensível (e irreconhecível). E Alan Rickman é Alan Rickman, que apesar de não ter a melhor voz para cantar tem definitivamente a melhor voz para falar. A sala estremece cada vez que ele pronuncia uma palavra!

Com este elenco de óptimos actores (actores, não cantores) e toda esta produção nas mãos de Tim Burton, Sweeney Todd teria sido um excelente filme sem canções. Mas enquanto musical é apenas medíocre, no máximo. O que não invalida que possa ser uma boa experiência cinematográfica – para ouvidos moucos, isto é.

The Virgin Queen (1955)

16 Fevereiro, 2008

Really? That frog-eating villain!

Sir Walter Raleigh tem coração de marinheiro. Está por isso determinado a conseguir a autorização da Rainha Elizabeth I para construir três barcos destinados a explorações no Novo Mundo. Depois de o conhecer, a Rainha desenvolve uma inclinação especial por Raleigh, que por sua vez se toma de amores por uma das damas de companhia.

Ficha Técnica: De Henry Koster, escrito por Harry Brown e Mildred Lord, com Bette Davis, Richard Todd e Joan Collins.

Este DVD vinha numa colecção da Bette Davis que comprei. Não estava muito entusiasmada com ele, e se o visse em separado não o teria comprado. Por alguma razão, a história de Elizabeth I não me parecia apelativa. Desta vez, o meu instinto estava certo. The Virgin Queen não é um filme muito interessante.

O título é enganador: a personagem principal em The Virgin Queen não é a Rainha mas sim Raleigh, e seguimos o percurso das suas manipulações e aventuras (desventuras?) às mãos da Rainha. Não é que o filme seja chato – não é. Aliás, o guião está muito bem construído, cheio de acontecimentos e reviravoltas nos sítios certos, mas o problema é que as coisas que acontecem não são assim tão interessantes. Suponho que seja um filme mais para quem gosta de ver magníficos cenários e guarda-roupas.

E, claro, Bette Davis. Este não é o seu melhor papel, mas vê-la no ecrã é sempre uma boa experiência. Posso dizer o mesmo de Richard Todd e a sua barbicha carismática. Outro pormenor que me agradou foi a curiosa opção de não haver música nas (muito bem coreografadas) cenas de luta entre Raleigh e Christopher – só ouvimos as espadas, as mesas a serem viradas, os pratos a partir e o ocasional grito de uma ou outra donzela. Gostei também do humor (introduzido em todas os momentos adequados), sendo “that frog-eating villain!” o ponto alto para mim, seguido por alguns diálogos entre a Rainha e Raleigh.

Em suma, The Virgin Queen tem os seus pontos positivos, mas não é nada de especial. A futuros fãs de Bette Davis, recomendo antes What Ever Happened to Baby Jane? ou All About Eve.

Wolf Creek (2005)

16 Fevereiro, 2008

I was doing people a service really, by shooting them. There’s kangaroos all over the place… like tourists.

Três amigos andam a viajar pela Austrália e param em Wolf Creek para uma caminhada pela cratera. Quando voltam o carro não funciona, mas por sorte aparece um senhor muito amável que se dispõe a “ajudá-los”.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Greg Mclean, escrito pelo próprio, com Cassandra Magrath, Kestie Morassi e John Jarratt. Inspirado por acontecimentos reais.

Shock! Horror! Suspense!: Que seca de filme. Durante uma hora não acontece rigorosamente nada. É desesperante! “Mas será que vai acontecer alguma coisa? Alguém vai tropeçar numa pedra? Vai-se acabar a cerveja? Vai aparecer um canguru na estrada? Alguém vai espirrar? Qualquer coisa?” É que nem sequer é desenvolvimento das personagens – é mesmo só uma hora em que não acontece nada. E quando finalmente começam a acontecer coisas não é nada de jeito. Para começar há violência demasiado explícita, e as personagens são burras.
A única cena vagamente interessante no filme inteiro é uma em que eles estão fora do carro e a câmara está sempre a alternar entre o exterior e o interior do carro. Esses planos dentro do carro puseram-me nervosa. Mas claro, não aconteceu nada.

Aplausos: Blah.

Queixas: Todos os filmes em que há alguém que tem oportunidade de acabar com a ameaça, seja ela qual for, e não o faz sabe-se lá porquê, são filmes maus. Mesmo que numa situação de perigo o instinto seja fugir, será que não há pelo menos um bocadinho de instinto que diga “vê lá bem se está morto ou não!”? Enfim. O filme está cheio de inconsistências; nem souberam decidir se era de dia ou de noite, então decidiram ir alternando. Também achei estúpida a tentativa de ambiguidade no final… E nem sequer gosto do cartaz.

Comentário final: Depois da mensagem “desaparecem 3.000 pessoas na Austrália todos os anos”, tenho a certeza que este filme convenceu pelo menos duas pessoas no mundo a nunca ir à Austrália. Por isso acho que deviam ter acrescentado um segmento no final com um extended mix de Sun Arise de Rolf Harris, com imagens de kiwi birds, cangurus e crianças aborígenes a dançar. Era o mínimo que podiam fazer pelo turismo australiano. E sempre tornava o filme mais interessante.
Não percam tempo com Wolf Creek. O mais provável é adormecerem.

Raising Helen (2004)

16 Fevereiro, 2008

Oh no, I bet this is lead paint. Kids, no chewing on the window sills!

Helen é uma mulher dedicada ao seu trabalho no mundo da moda. Quando de repente se vê com três miúdos à sua guarda, há mudanças inevitáveis…
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Garry Marshall, escrito por Jack Amiel e Michael Begler, com Kate Hudson, John Corbett e Joan Cusack.
Título Português: A Educação de Helen

Raising Helen não é bem uma comédia romântica. Há comédia (alguma), e há romance (“Pastor Dan just asked me out.” “That is so weird!”), mas o filme concentra-se mais na família, e na questão de aprender a ser boa mãe. Se estão à procura de um filme para grandes gargalhadas, procurem noutro lado.

Kate Hudson não consegue fazer papéis em que não seja adorável. É um facto da vida, temos que aprender a viver com ele. É um bom facto da vida, por acaso. Algumas partes do diálogo não seriam tão engraçadas sem a entoação que Hudson lhes dá. Também Joan Cusack (não confundir com o irmão, o fabuloso John Cusack) ganha pontos para Raising Helen. É uma actriz que gostava de ver mais vezes, noutro tipo de papéis (apesar de ela ser uma super-mom muito credível).

A escolha de Paris Hilton é que não se compreende. Sim, a Paris Hilton entra neste filme… Não diz nada, mas esta lá, ela e o seu cão vestido. Um cão vestido – é quase tão mau como um cão a jogar póquer. Mas isto já não tem a ver com o filme. O maior problema de Raising Helen (problema ainda maior do que a presença de Paris Hilton) é a falta de subtileza do guião. As comédias românticas não costumam primar pela subtileza, mas aqui os acontecimentos importantes são preparados de uma maneira tão directa que até irrita. Uma coisa é ser previsível, outra é ser estupidamente previsível.

Em termos de comédia, também podia ser muito melhor. É um humor mais do estilo “esta pessoa diz umas piadas giras” do que um humor de situações cómicas (apesar de também as haver). E a tentativa de usar o miúdo para “comic relief” é… bem, não é um falhanço total, mas anda lá perto. O que me agradou foi ser um humor bastante “limpinho”, e isto aliado aos valores (ou moral, como lhe queiram chamar) que sublinha, contribui para um filme com um tom muito agradável – e refrescante no meio das comédias românticas que saem de Hollywood nos últimos tempos.

Raising Helen é suavezinho, bom para se ver em família. É um filme de domingo à tarde – nada mais.

Pi (1998)

16 Fevereiro, 2008

When I was a little kid my mother told me not to stare into the sun. So once when I was six, I did.

Max é um matemático convencido que a resposta a tudo no universo pode ser encontrada nos números. A sua tese é que existem padrões numéricos no mundo, e com a ajuda de um computador tenta encontrar o padrão da Bolsa. Numa dessas tentativas o computador decide morrer, mas não sem antes deixar um número… Para o caso de estarem a pensar que este número é o pi, digo-vos já que não é.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Darren Aronofsky, com Sean Gullette.

Shock! Horror! Suspense!: Este filme é sobre paranóia/obsessão (ou então é sobre outra coisa qualquer). E nisso é bem sucedido: o que ali vemos é um obcecado paranóico. Algumas sequências são verdadeiramente inquietantes. Também há um certo toque surrealista, o que podia tornar as coisas interessantes se às vezes não fosse estúpido (como o cérebro no metro…). E quem é que tem paciência para ver um homem tomar comprimidos 40 vezes?

Thumbs up: A fotografia. Realmente, Matthew Libatique sabia o que estava a fazer. Se não fosse isto, acho que o filme jamais teria conquistado o seu estatuto de “culto”. As pessoas gostam de filmes com um ar artístico. A banda sonora combina, e no geral o ambiente foi bem conseguido. O final é interessante.

Thumbs down: O título é incompreensível. O pi aparece umas duas vezes ao todo e nem sequer é essencial. Se pensarmos um bocado podemos inventar uma tese ou duas para explicar a escolha, mas isso é para quem tem tempo para essas coisas. A personagem principal é pouco empática, e no meio das mil cenas de comprimidos e alucinações no metro, às tantas já me estava nas tintas para o que ele fazia ou deixava de fazer. Este filme era bem melhor se fosse uma curta.

Comentário geral: A cena famosa de Pi é a que precede o final. É horrível. Horrível no sentido de caneco-vou-desligar-não-quero-ver-isto-argh. O homem [spoiler] espeta um berbequim na cabeça [/spoiler]. Yah. Feitas as contas, acho que não preciso de ver Pi outra vez na vida.

The Island (2005)

16 Fevereiro, 2008

You’ve been chosen. The Island awaits you.

Lincoln Six Echo e Jordan Two Delta vivem num dos últimos sítios protegidos da contaminação do mundo exterior. Todos esperam pela sua vez de ganhar a Lotaria, que os levará à Ilha, o último paraíso terrestre. isto até ao dia em que descobrem a verdade da sua condição e fogem.
Trailer aqui.

Ficha Ténica: De Michael Bay, escrito por Caspian Tredwell-Owen, Alex Kurtzman, Roberto Orci, com Ewan McGregor e Scarlett Johansson. Remake de The Clonus Horror (1979).
Título Português: A Ilha

Clonagem do ponto de vista dos clones. O que é que há de errado com esta premissa? Absolutamente nada. É uma excelente premissa. E é mesmo impressionante a habilidade com que Michael Bay conseguiu transformar esta óptima ideia num péssimo filme.

A Ilha até começa bem – o ambiente é muito 1984. Toda a história da Ilha, da lotaria, o controlo, é muito interessante. Mas a partir do momento em que eles descobrem a verdade e decidem fugir… Argh. O filme transforma-se num anúncio gigante cheio de explosões e pessoas a gritar “run!”. Tenho a certeza que há pessoas que gostam de cenas de perseguições e explosões que duram 30 minutos. Eu não sou dessas pessoas. Eu sou daquelas pessoas que fica muito chateada quando estragam uma boa ideia com explosões perfeitamente desnecessárias – que ainda para mais foram caras e “forçaram” a inclusão de pelo menos 15 marcas diferentes ao longo do filme: todas elas muito in your face, isto é publicidade!

Há imensas inconsistências no argumento, e os protagonistas são praticamente imortais. A certa altura caem de um prédio de uns 130 andares e a explicação que é dada para não terem morrido é “Jesus loves you”. Jesus loves you?? Desculpem lá mas para eu acreditar que é possível sobreviver àquilo têm que me dar uma explicação melhor que essa. Mas ok, este é um filme de acção, não é suposto ser muito plausível, consigo perdoar estes pormenores.

O que já é mais difícil de perdoar são alguns diálogos. “As mulheres são escolhidas para procriar”? “Regra universal: nunca dar um cartão de crédito a uma mulher”? Quem é que escreveu este lixo? As personagens nem sequer são consistentes. Querem que eu acredite que um homem que não questiona o seu trabalho se preocupa com teorias elaboradas sobre a lotaria? Se ele é resignado, é resignado e pronto; ou é bipolar?

A sério, o que é que eles estavam a pensar quando fizeram este filme? Scarlett, o que é que tu estavas a pensar?

Honogurai Mizu No Soko Kara (2002)

16 Fevereiro, 2008

Água e fantasmas japoneses.

Yoshimi quer refazer a sua vida depois do divórcio. Muda-se com a filha, Ikuko, para um apartamento, mas rapidamente descobre que aquela não foi a escolha mais acertada. Para além de o sítio meter água, há uma rapariguinha que aparece e desaparece…
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Hideo Nakata, escrito por Yoshihiro Nakamura, com Hitomi Kuroki, Rio Kanno e Mirei Oguchi.
Título português: Águas Passadas (uau, um bom título!)

Shock! Horror! Suspense!: Eu diria que é moderadamente assustador. A rapariga-fantasma é sinistra, como qualquer criança-fantasma, e ainda por cima usa uma gabardina amarela (Don’t Look Now?). A atmosfera (em certas alturas) é bastante reminescente de The Ring, e em determinada cena do clássico The Shining. O problema é que o filme é um bocado lento demais. É mais um drama do que um filme de terror ou (ah ah) um thriller (ah ah), como foi classificado.

Aplausos: Cabelos a sair de torneiras é das coisas mais horríveis de que se podiam ter lembrado. Yuck!

Queixas: O andamento. Funciona bem do ponto de vista da tragédia e do drama, mas para terror acaba por não ser muito bem sucedido.

Comentário final: Esperava mais. A história tem profundidade, e calculo que corações sensíveis derramem uma lágrima ou outra no final, mas o lado macabro da situação pareceu-me subaproveitado. Terror? Nem por isso. É mais drama com fantasmas.
Em 2005 fizeram um remake americano deste filme. Pode ser que seja melhor, mas a julgar por outros remakes de filmes asiáticos acho que não.

Hostel (2005)

16 Fevereiro, 2008

Try not to vomit, at least not in the cinema. (tagline)

Uns amigos em viagem caem num esquema doentio de pay-per-torture.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Eli Roth, escrito pelo próprio, com Jay Hernandez.

Shock! Horror! Suspense!: Isto não é um filme de terror. É uma compilação de imagens nojentas e explícitas de pessoas em sofrimento. Não há um pingo de inteligência aqui, mas Eli Roth tenta compensar essa falta com vários litros de sangue e quilos de cadáveres. Se choca? Claro que choca. É o que um filme faz quando não consegue fazer mais nada, e mesmo assim Hostel ainda vai pela via do choque mais fácil. Para isto mais valia ir plantar-me à porta das emergências no Hospital.

Aplausos: Acho que não há nada de bom neste filme. Bem, talvez o vegetarianismo de um dos personagens. Mas mesmo isso parece que só lá foi posto para contrastar, por isso não, não há mesmo nada positivo neste filme.

Queixas: Por onde começar? Hostel é atroz do princípio ao fim. A primeira parte consiste em algumas drogas e actrizes despidas. A segunda é uma longa viagem sádica através das mais imaginativas torturas possíveis. E assim está o filme todo contado. Dizem que há uma mensagem qualquer no meio, mas é tanga para tentar vender o filme. A única mensagem que há neste filme é “aposto que vos consigo fazer vomitar”. Nojento.

Comentário final: Hostel é o melhor exemplo da crise do cinema actual, e particularmente do terror, que segue hoje maioritariamente a fórmula SSR (Sexo, Sangue e Remakes). Evidentemente, filmes deste estilo sempre existiram e foram populares com um certo público: não esqueçamos os b-movies dos anos 80, nem filmes como Massacre no Texas, que é considerado um grande clássico, ou Scream, um marco na nova geração de filmes de terror. Mas Hostel é de um exagero doentio. Não percebo qual é a motivação para se fazer um filme assim, e não sei como é que se gosta disto, nem como é que se pode querer ver uma coisa destas outra vez.

Chateia-me ter dado dinheiro para ver este lixo. Mas ainda me chateia mais saber que Eli Roth vai realizar a adaptação de Cell, de Stephen King. O meu coração chora lágrimas de tristeza.

The Howling (1981)

16 Fevereiro, 2008

Silver bullets or fire, that’s the only way to get rid of the damn things. They’re worse than cockroaches.

Karen White aceita servir de isco numa operação para capturar um assassino. Quando as coisas não correm de acordo com o plano, Karen entra em choque e é enviada para uma clínica de recuperação, onde encontra outros como ela. Ou outros que não são como ela.
Trailer aqui. (não sei o que é que se passa com estes trailers dos anos 80… 90% das vezes dizem a história toda mas este exagera! Grandes spoilers, atenção!)

Ficha Técnica: De Joe Dante, escrito por John Sayles e Terence H. Winkless, com Dee Wallace e Christopher Stone. Baseado no romance de Gary Brandner.

Shock! Horror! Suspense!: The Howling é considerado uma das obras primas dentro do subgénero dos lobisomens. As transformações são fixes (apesar de às vezes parecer mesmo que os estão a encher com ar – provavelmente estavam), e há uma certa originalidade na visão da licantropia apresentada neste filme. No entanto isto não me impede de ter achado risível ver lobisomens a andarem como se fossem homens (apesar de tecnicamente serem). Estragou completamente o clima. Isso e a falta de uivos à lua cheia…

Aplausos: Há um ou outro ponto que me agradou, mas nada que me impressionasse. Se bem que apreciei o facto de este filme ser sério, ou seja, não havia personagens cujo único objectivo fosse apenas forçar algum humor.

Queixas: A caça não precisava de ter sido mostrada de forma tão explícita. A banda sonora é demasiado gótica e dramática para a acção do filme – inclui um órgão até -, é tudo muito gothic horror, mas depois vai-se a ver e não há nada de gothic horror no ecrã. A última transformação é um bocado parva.

Comentário final: Tinha grandes expectativas para The Howling, e fiquei desiludida com quase tudo. Definitivamente não considero lobisomens criaturas muito interessantes.
A quem quer ver um filme de lobisomens recomendo antes Ginger Snaps.