Red Dragon (2002)

Do you dream much, Will?

Um filme de Brett Ratner, escrito por Ted Tally adaptado do livro de Thomas Harris, com Anthony Hopkins, Edward Norton e Ralph Fiennes. Título português: Dragão Vermelho. Trailer.

Dragão Vermelho é a “prequela” de Silêncio dos Inocentes. A história passa-se antes de Hannibal conhecer Clarice, mas depois da sua captura. O agente que desmascarou os crimes canibalescos de Hannibal é William Graham, que está agora a trabalhar no caso da Fada dos Dentes, um assassino perverso com uma tendência para morder as suas vítimas.

Silêncio dos Inocentes focava-se em Clarice e na sua relação com Hannibal. Já neste filme, Brett Ratner decidiu mostrar-nos antes a psicologia da Fada dos Dentes através dos olhos do próprio. O efeito funciona: pode não haver simpatia, porque afinal de contas o homem é louco e assassino, mas há certamente empatia.

A Fada dos Dentes, Mr. D para os amigos, é o mistério que Dragão Vermelho nos propõe desvendar. O que é que motiva um homem assim? Traumas de infância, claro, mas há mais que isso, e O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida de Sol, uma das pinturas mais famosas de William Blake, está no cerne da questão. Aos poucos o véu é levantado se a sua demente luta interna é exposta. Mr D. cede ou não? E comer papel vai ajudar? São algumas das coisas que ficamos com vontade de saber. Mas tudo acerca de Mr D e das suas “transformações” é intrigante.

Hannibal também o é, e surge aqui mais maquiavélico do que no episódio anterior. A relação que o canibal estabelece com Will está longe de ser parecida como a de Clarice. Will é bastante mais resistente, não se entrega às seduções de Hannibal e irrita-se com os seus enigmas. É refrescante saber que se conseguiu fazer uma segunda parte de um sucesso sem cair na perigosa tentação de fazer “mais do mesmo”.

Há paralelos, claro, mas são mais ao nível da imagem, que permanece simbólica, do que da história. Quem viu o primeiro filme vai reparar que embora Crawford esteja bastante diferente, aquele quadro onde afixa os pormenores da investigação continua intacto, e apesar de Dr. Chilton também ter mudado, a cena em que conduz Will até Hannibal pela primeira vez é bastante reminiscente da filmada uns anos antes com Jodi Foster. São pequenas atenções que agradam a quem viu o primeiro filme, sem cansar o espectador com citações e referências.

Dragão Vermelho aguenta-se sem o amparo do irmão mais velho e afirma-se como um apetecível festival de suspense, polvilhado aqui e ali com alguns pormenores engraçados (comecem por procurar Jaws). É um filme carismático, e acima de tudo, a encarnação daquilo que é um verdadeiro thriller policial. Recomenda-se.

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Uma resposta to “Red Dragon (2002)”

  1. D'arte Says:

    O que dizer ??? Hopkins; William Black; Ratner…

    … O silêncio.

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