Parents (1989)

“What’s this we’re eating?”
“Leftovers.”
“We’ve been eating leftovers ever since we moved. I wanna know what they were before they were leftovers.”
“They were leftovers-to-be.”

Um filme de Bob Balaban, escrito por Christopher Hawthorne, com Randy Quaid, Mary Beth Hurt e Bryan Madorsky.

ParentsOs pais do pequeno Michael são duas criaturas sinistras. A mãe é uma dona de casa muito dedicada à cozinha, onde prepara refeições elaboradíssimas. O pai faz sabe Deus o quê o dia todo e quando chega a casa gosta de assustar o filho com a sua austeridade e de comer as carnes que a mulher prepara. E aqui está um dos pormenores horríveis desta família: comem tanta carne! Ao pequeno-almoço, ao almoço, ao lanche, ao jantar, antes de dormir, só carne, carne, carne, é absolutamente nojento.

Portanto não é de estranhar que Michael tenha pesadelos. Com carne. Michael é um miúdo estranho, mas a sua estranheza é inteiramente fruto das circunstâncias. Se duvidam, vejam: o pai conta-lhe coisas como a receita da invisibilidade (que consiste em chupar ossos de gato preto assado vivo no forno) e histórias sobre um menino mal-comportado que cresceu e se tornou um homenzinho triste e egoísta; a mãe dá-lhe quantidades obscenas de carne e diz-lhe “sai daqui, Michael” de uma forma tão maternal que faz lembrar Freddy Krueger; conduzem um “oldsmobile” e os dois fazem coisas esquisitas a meio da noite com “roupa lavada” e quantidades suspeitas de algo extremamente parecido com sangue.

Como é que Michael pode ser um rapaz normal? Pois bem, não é, mas não é o único. Sheila, sua colega de turma, diz que veio da Lua, onde não há pais, e pretende voltar quando acabar a escola – e levar Michael com ela. Os dois desenvolvem uma capacidade extraordinária de se meter em sarilhos, sarilhos que vão aproximar Michael da verdade sobre os seus pais.

Parents tem uma premissa interessante, mas é o primeiro feature de Balaban e isso nota-se. Há uma certa confusão em alguns planos, que aparecem no ecrã como intrusos num conjunto, e várias imprecisões lógicas na acção que se tornam particularmente irritantes nalgumas cenas, como aquela em que o pai parece ficar surdo e cegueta e não dá pela presença evidente de Michael, o jovem peeping-tom-to-be.

É interessante como uma criança inexpressiva funciona tão bem num filme deste tipo. Neste campo, Madorsky promete; tem um ar perpetuamente triste e sério, que assenta em Michael como uma luva. É pena que não tenha feito mais filmes. No geral, Parents é um filme comme ci comme ça, mas tem o seu humor negro e satisfaz os desejos básicos de quem procura um filme de terror: uma atmosfera inquietante q.b. com um ou dois sustos pelo meio. Convém é dizer que é tudo muito campy.

E a moral da história? Meat is murder – muito literalmente.

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Uma resposta to “Parents (1989)”

  1. Nothingman Says:

    Vi este filme ainda muito novo (+-12anos). Na altura, achei aterrador o momento em que Michael descobre o que os pais andavam realmente a comer. Com a ingenuidade, própria da idade, não percebi muito bem as dicas dadas ao longo do filme.

    Revi o filme há pouco tempo e achei-o simpático. Obviamente que me fartei de rir por ter ficado “chocado” com a descoberta dos hábitos alimentares da familia.

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