Sweeney Todd (2007)

How about a shave?

Um filme de Tim Burton, escrito por John Logan, a partir do musical de Stephen Sondheim, com Johnny Depp, Helena Bonham Carter, e Alan Rickman. Título português: Sweeney Todd – O Terrível Barbeiro de Fleet Street. Trailer.

Os musicais são tão raros hoje em dia que é sempre ocasião para festa quando aparece um. E quando é um musical de terror, um musical de terror trágico, por Júpiter, estarei a sonhar? Parece bom de mais para ser verdade. O problema é que é mesmo. Não há rosas sem espinhos, é um facto.

Comecemos pelo bom. A história. Sim, sim, a história é óptima, é trágica, é macabra, é horrível, é maravilhosa, é precisamente aquilo que esperamos de Tim Burton e exactamente aquilo que devia sair de Hollywood mais vezes. Há amor, traição, vingança e canibalismo involuntário – uma receita para o sucesso, especialmente nas mãos de Tim Burton, que sabe embrulhar Sweeney, Mrs Lovett e as suas vítimas numa atmosfera de escuridão sinistra muito gótica.

Mas no meio disto tudo, Burton decide dar um toque do surreal ao visual do filme. O sangue é espesso e brilhante, e algumas superfícies e texturas têm obviamente o dedo mecânico de um computador. E se esta ideia aplicada à violência foi muito bem conseguida, no resto já não tenho tanta certeza. Faz lembrar um pouco aqueles primeiros desenhos animados inteiramente feitos a computador, que tinham sempre um ar desajeitado e falso. Isto é o mau.

Agora o horrível… O horrível é simplesmente atroz! Aquela tentativa de cantoria por parte de Depp e Bonham Carter é terrível. Não há sequer uma maneira delicada de o dizer: este elenco não sabe cantar, ponto final.

O problema não está na música e muito menos nas letras, que têm momentos de pura genialidade (A Little Priest é talvez o melhor exemplo). Mas são trucidadas pelas vozes. The Worst Pies in London, a música de apresentação de Mrs Lovett, é uma óptima ilustração desta ofensa. Devia ser um dos pontos altos do filme, tanto na sugestão de um ambiente como em comédia, e no entanto é abortada pelos guinchos e gemidos de Bonham Carter.

Depp consegue ser um pouquinho melhor. Tem uma voz suficientemente grave e carismática para nos convencer da vilania de Sweeney, mas não é capaz de a adaptar para exprimir nenhuma emoção. Este é o ponto fulcral de um musical: que seja a música a emocionar o espectador. Como quando Julie Andrews transborda alegria ao enumerar as suas coisas preferidas, ou quando Ted Neeley alterna entre profunda angústia, raiva e resignação no Getsémane, ou ainda quando Madonna pede à Argentina que não chore.

É preciso haver o mínimo de elasticidade na voz de um actor num musical, porque isso é tão importante quanto a expressividade física de um actor em qualquer outro filme. Ver Johnny Depp fugir às notas difíceis ou ouvir Helena Bonham Carter consistentemente a falhá-las todas é tão estimulante como assistir à performance de alguém com muito botox na cara e um caso crónico de prisão de ventre.

Talvez Burton tivesse acertado na coisa se não estivesse tão acorrentado à sua musa e ao seu muso. Era provável que sim, porque esteve lá perto com Jamie Bower, um querubim muito afinadinho, com Ed Sanders, um rapaz de extremo potencial, e ainda com Jayne Wisener, que possui uma voz extremamente agradável ainda que lhe falte alguma robustez. De resto, Sacha Baron Cohen é uma agradável surpresa: está absolutamente irrepreensível (e irreconhecível). E Alan Rickman é Alan Rickman, que apesar de não ter a melhor voz para cantar tem definitivamente a melhor voz para falar. A sala estremece cada vez que ele pronuncia uma palavra!

Com este elenco de óptimos actores (actores, não cantores) e toda esta produção nas mãos de Tim Burton, Sweeney Todd teria sido um excelente filme sem canções. Mas enquanto musical é apenas medíocre, no máximo. O que não invalida que possa ser uma boa experiência cinematográfica – para ouvidos moucos, isto é.

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Uma resposta to “Sweeney Todd (2007)”

  1. p Says:

    não consigo comentar nada do que disseste. não concordo com quase NADA, apenas com o que disseste de bom. eu adorei o filme, o filme é tão fantástico, tão bom. eu adoro o timmy! eu amo este filme tão genial, sinistro e belo! eu odeio quando dizes mal de coisas que…enfim.

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