To Die For (1995)

Being on television makes you a better person.

Um filme de Gus Van Sant, escrito por Buck Henry, adaptado do livro de Joyce Maynard, com Nicole Kidman, Joaquin Phoenix, Alison Folland e Casey Affleck. Título português: Disposta a Tudo. Trailer.

Não é um filme sobre miúdos, como podemos antecipar ao ler “um filme de Gus Van Sant”, mas Disposta a Tudo também é sobre miúdos, nomeadamente Jimmy, que não joga com o baralho todo, Lydia, que é bem tratada pela vida, e Russell, que, enfim, é um rapaz adolescente numa pequena aldeia americana. Mas acima de tudo, Disposta a Tudo é sobre a criança-adulta Suzanne Stone. O maior desejo, aliás, o único desejo de Suzanne é estar na televisão. Porque estar na televisão torna as pessoas melhores. E porque, sejamos honestos, de que vale fazer seja o que for se ninguém estiver a ver?

Disposta a Tudo é uma espécie de mockumentary, um falso documentário sobre Suzanne e o caso da morte de Larry Moretto, o seu marido. Antes de conhecer Larry, Suzanne não passava de um pote de sonhos na demanda por uma carreira de sucesso na televisão. No entanto, depois do casamento decide trabalhar a sério para conseguir o que quer. É assim que consegue o posto de apresentadora do boletim metereológico, e corre tudo bem até Larry se atravessar no seu caminho e ter de ser despachado por três miúdos.

Disposta a Tudo é um filme menos introspectivo do que Elephant ou o recente Paranoid Park, mas nem por isso menos profundo. Suzanne é mais um estudo sobre a obsessão com a celebridade do que uma caricatura. Na sua mente infantil, todas as câmaras e todos os flashes se dirigem a ela. Ela é uma pura narcisista, e o seu comportamento é quase autista — e é aqui que Disposta a Tudo vai beber muito do seu humor (bastante negro, por vezes). Ninguém chega realmente a perceber Suzanne, e ela não percebe nenhum dos que a rodeiam. Ela é uma extra-terrestre em Little Hope, uma celebridade-to-be numa aldeia americana. E quantos não há como ela?

Nicole Kidman é perfeita neste papel. Fria e manipuladora, mas ao mesmo tempo doce e inocente, Nicole mostra aquilo que Suzanne realmente é: a ambição personificada numa criança-adulta. A outra performance de relevo em Disposta a Tudo é de Joaquin Phoenix, aqui no princípio da sua carreira. Há uma genuidade quase perturbadora no seu retrato das limitações e obsessões de Jimmy.

Disposta a Tudo é um filme interessante, não só por este estudo de personagens, mas pela maneira como o filme se constrói e estuda a si próprio. As entrevistas, entrecortadas com o pitch de Suzanne para Hollywood, recortes de jornal, flashbacks e flashforwards, imagens multiplicadas, e uma data de outros artifícios que Van Sant tem na manga, tornam Disposta a Tudo um filme que vale a pena ver. E o final definitivamente não desaponta: é belo e macabro, quase saído directamente da Nona Onda.

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Uma resposta to “To Die For (1995)”

  1. Luís F. Alves Says:

    É das poucas coisas do Gus Van Sant de que gosto, confesso…

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