Archive for Fevereiro, 2008

To Die For (1995)

22 Fevereiro, 2008

Being on television makes you a better person.

Um filme de Gus Van Sant, escrito por Buck Henry, adaptado do livro de Joyce Maynard, com Nicole Kidman, Joaquin Phoenix, Alison Folland e Casey Affleck. Título português: Disposta a Tudo. Trailer.

Não é um filme sobre miúdos, como podemos antecipar ao ler “um filme de Gus Van Sant”, mas Disposta a Tudo também é sobre miúdos, nomeadamente Jimmy, que não joga com o baralho todo, Lydia, que é bem tratada pela vida, e Russell, que, enfim, é um rapaz adolescente numa pequena aldeia americana. Mas acima de tudo, Disposta a Tudo é sobre a criança-adulta Suzanne Stone. O maior desejo, aliás, o único desejo de Suzanne é estar na televisão. Porque estar na televisão torna as pessoas melhores. E porque, sejamos honestos, de que vale fazer seja o que for se ninguém estiver a ver?

Disposta a Tudo é uma espécie de mockumentary, um falso documentário sobre Suzanne e o caso da morte de Larry Moretto, o seu marido. Antes de conhecer Larry, Suzanne não passava de um pote de sonhos na demanda por uma carreira de sucesso na televisão. No entanto, depois do casamento decide trabalhar a sério para conseguir o que quer. É assim que consegue o posto de apresentadora do boletim metereológico, e corre tudo bem até Larry se atravessar no seu caminho e ter de ser despachado por três miúdos.

Disposta a Tudo é um filme menos introspectivo do que Elephant ou o recente Paranoid Park, mas nem por isso menos profundo. Suzanne é mais um estudo sobre a obsessão com a celebridade do que uma caricatura. Na sua mente infantil, todas as câmaras e todos os flashes se dirigem a ela. Ela é uma pura narcisista, e o seu comportamento é quase autista — e é aqui que Disposta a Tudo vai beber muito do seu humor (bastante negro, por vezes). Ninguém chega realmente a perceber Suzanne, e ela não percebe nenhum dos que a rodeiam. Ela é uma extra-terrestre em Little Hope, uma celebridade-to-be numa aldeia americana. E quantos não há como ela?

Nicole Kidman é perfeita neste papel. Fria e manipuladora, mas ao mesmo tempo doce e inocente, Nicole mostra aquilo que Suzanne realmente é: a ambição personificada numa criança-adulta. A outra performance de relevo em Disposta a Tudo é de Joaquin Phoenix, aqui no princípio da sua carreira. Há uma genuidade quase perturbadora no seu retrato das limitações e obsessões de Jimmy.

Disposta a Tudo é um filme interessante, não só por este estudo de personagens, mas pela maneira como o filme se constrói e estuda a si próprio. As entrevistas, entrecortadas com o pitch de Suzanne para Hollywood, recortes de jornal, flashbacks e flashforwards, imagens multiplicadas, e uma data de outros artifícios que Van Sant tem na manga, tornam Disposta a Tudo um filme que vale a pena ver. E o final definitivamente não desaponta: é belo e macabro, quase saído directamente da Nona Onda.

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Sinbad and the Eye of the Tiger (1977)

20 Fevereiro, 2008

A maior aventura de Simbad!

Um filme de Sam Wanamaker, escrito por Beverley Cross, com Patrick Wayne, Jane Seymour e Margaret Whiting.

Sinbad and the Eye of the TigerSimbad e o Olho do Tigre é uma pequena pérola dos anos 70. No campo das aventuras há poucas mais fantásticas que esta – com telepatia, bruxaria, tigres dente-de-sabre, minotauros robóticos e trogloditas já incluídos.

Tudo começa quando Simbad atraca em Charak, cidade da sua amada princesa Farah, e se inteira da situação caótica em que a cidade está mergulhada. Depois de sobreviver a uma tentativa de assassinato e ao ataque de monstros infernais, Simbad decide começar uma nova viagem em busca de algo que possa ajudar o pobre príncipe Kassim, que se encontra reduzido à condição de babuíno graças às bruxarias de Zenobia.

Comecemos por falar desse extraordinário babuíno. Felizmente não é usado um animal verdadeiro, mas sim uma recriação artificial, animada em stop-motion. O efeito é impressionante. Está longe de ser uma ilusão perfeita, como as imagens geradas por computador de hoje em dia, mas não deixa de ser bastante satisfatória. Há imensas outras criaturas nesta aventura de Simbad, todas elas bem mais excepcionais que um simples babuíno, e todas elas muito bem animadas, especialmente se tivermos em conta a altura em que o filme foi feito, e estivermos por isso dispostos a perdoar alguns pormenores pitorescos, como o facto de o grande tigre dente-de-sabre ser feito de peluche.

Ou talvez o peluche seja antes um factor positivo. As cenas de acção são bastante envolventes, mas diferem em pouco daquilo que qualquer miúdo de sete anos recria no seu quarto com dois brinquedos. Eye of the Tiger é bastante genuíno nesta imitação do imaginário infantil e não tem medo de ser exuberante nas suas criações, quase estapafúrdio até, no desenvolvimento da aventura de Simbad. Quando pensamos que nada mais surpreendente pode acontecer aos nossos heróis, zás! aparece uma morsa gigante! Ou um mosquito gigante e maquiavélico! Ou, melhor ainda, um troglodita cavalheiro!

É fácil imaginar o quanto Cross e Wanamaker se devem ter divertido a arquitectar tudo isto. Não há limitações do real ou da lógica, apenas da imaginação, e o resultado é uma estupenda aventura, surpreendente e brincalhona. Simbad and the Eye of the Tiger vê-se como um jogo de faz-de-conta, uma brincadeira de miúdos, um reviver da infância. É nada mais nada menos que uma fantasia intrépida, repleta de magia e monstros fantásticos. Resumindo, é o filme perfeito para qualquer criança, seja qual for a idade.

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Há Ratos na Blogosfera!

16 Fevereiro, 2008

Para me certificar que ninguém fica com a ideia de que sou esquizofrénica, quero apenas para informar que todos os comentários anteriores a este post foram originalmente publicados no Take 3 e não se encontram aqui reproduzidos por ordem cronológica. Portanto tenham lá paciência com as flutuações de formatos e estilos — deste post para a frente a coisa estabiliza (;

Top 5 Musicais

16 Fevereiro, 2008

Uma vida de cinema sem musicais não é boa para ninguém (e acho que até pode mesmo provocar certas doenças de pele), por isso aqui ficam cinco excelentes musicais.Façam de conta que escrevi este post todo a cantar, acompanhada no coro pelos vizinhos à janela, enquanto as pessoas na rua faziam uma grande coreografia vestidos à anos 50.

#5 – Little Shop of Horrors (1986)
Remake musical do filme The Little Shop of Horrors, de 1960. Lojinha dos Horrores é muito engraçado. O humor é exagerado e até um pouco pateta às vezes, muito típico dos anos 80. Não é uma história tão sombria como a do filme de ’60, mas compensa com as músicas.
Como é possível não gostar de um musical sobre uma planta vinda do espaço que come pessoas?Momentos de Destaque: Mean Green Mother From Outer Space (atenção, spoilers!) e Dentist (atenção, dentista sádico!). A música introdutória também é bem gira.

#4 – Evita (1996)
A história da “santa Evita”, protagonizada por Madonna (quer queiram admitir quer não, a senhora canta bem) e narrada por Antonio Banderas (que, para meu espanto, também canta bem).

Adoro este filme, e nem sequer tenho vergonha de admitir que o sei todo de trás para a frente, de cor e salteado, que tenho o DVD e a banda sonora, e que a costumava ouvir no caminho para a escola.Momentos de Destaque: Peron’s Latest Flame e Don’t Cry For Me Argentina#3 – Willy Wonka and the Chocolate Factory (1971)

Esquisito, um pouco tenebroso, e simplesmente adorável, este é um dos meus filmes preferidos. Há doces por todo o lado, um homem sinistro chamado Wonka, e Oompa Loompa que cantam músicas aos miúdos mal-comportados. O que é que podia ser melhor que isto?Momentos de Destaque: Oompa Loompa!

#2 – Jesus Cristo Superstar (1973)
Este filme está no dicionário à frente da palavra “estupendo”. É o melhor musical de Andrew Lloyd-Webber, e um dos melhores filmes alguma vez feitos sobre Jesus. Há os inevitáveis erros históricos, mas Judas é finalmente tratado como uma pessoa, por entre músicas que ficam logo no ouvido. Ted Neeley é inesquecível.
Momentos de Destaque: What’s the Buzz e Gethsemane.

#1 – Música no Coração (1965)
Este é O Musical. Acho que já o vi umas mil quatrocentas e vinte e sete vezes, e espero vê-lo ainda outras tantas. Música no Coração é o filme de família perfeito.Raindrops on roses and whiskers on kittens, and cream coloured ponies and crisp apple strudels and Sound of Music – these are a few of my favourite things!
Momentos de Destaque: The Lonely Goatherd e So Long, Farewell

E ainda três momentos musicais dignos de menções honrosas:

She’s the Man (2006)

16 Fevereiro, 2008

Speaking as a completely objective third party observer with absolutely no personal interest in the matter…

O Duke gosta da Olivia que gosta do Sebastian que na verdade é a Viola cujo irmão namora com a Monique que por isso detesta a Olivia que anda com o Duke para fazer ciúmes ao Sebastian que na verdade é a Viola que gosta do Duke que pensa que ela é um rapaz.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Andy Fickman, escrito por Ewan Leslie, Karen Lutz e Kirsten Smith, com Amanda Bynes e Channing Tatum. Inspirado pela peça “Twelfth Night” de Shakespeare.
Título Português: Ela é… Ele!

Este filme tem a tagline mais genial de sempre (ver sinopse). É provável que não tenham percebido nada (aquilo no filme faz sentido, a sério). Mas, se forem como eu, isso só aguçou a curiosidade de ver o filme. Conselho de amiga: vejam! She’s the Man faz parte daquela espécie rara de comédias que têm mesmo piada do princípio ao fim.

A história é simples, até. Viola gosta de futebol. Quando deixa de haver equipa feminina na escola (e não a deixam jogar na dos rapazes), o que é que Viola pode fazer? Fingir ser o irmão gémeo e jogar na equipa da escola dele, claro. O rapaz que Viola encarna não é mais do que uma caricatura, a versão daquilo que ela acha que um rapaz é. E se a nós nos parece demasiado exagerado, as outras personagens caem que nem uns patinhos… Agora imaginem a quantidade de situações que se podem gerar a partir daqui. Temos de tudo, e vão desde o engraçado ao hilariante, desde problemas triviais como tomar banho depois do treino ou explicar os tampões na mochila, a problemas mais complicados como estar no mesmo sítio ao mesmo tempo enquanto Sebastian e Viola, passando pelo inevitável triângulo (pentágono?) amoroso.

Será que esta história é verosímil? Claro que não. Não é agora, e provavelmente também não era no tempo de Shakespeare. Mas isso nem sequer chega a interessar. Primeiro porque Amanda Bynes é extremamente convincente na sua caricatura (prevejo uma boa carreira aqui), e segundo porque o filme é demasiado engraçado para nos ocuparmos a encontrar defeitos.

Até mesmo no final, quando o nó se desfaz com aparente facilidade, não existem grandes falhas às quais apontar o dedo. É um guião bem pensado em termos de estrutura e diálogos, e vejam só que eu, outrora desprovida de fé no uso cómico da expressão facial (graças a um tal Jim Carrey), aqui me encontro reconvertida.

She’s the Man é precisamente aquilo que promete ser: duas horas de boa comédia. Fãs de Ginger Snaps vão encontrar um bónus especial…

The Virgin Queen (1955)

16 Fevereiro, 2008

Really? That frog-eating villain!

Sir Walter Raleigh tem coração de marinheiro. Está por isso determinado a conseguir a autorização da Rainha Elizabeth I para construir três barcos destinados a explorações no Novo Mundo. Depois de o conhecer, a Rainha desenvolve uma inclinação especial por Raleigh, que por sua vez se toma de amores por uma das damas de companhia.

Ficha Técnica: De Henry Koster, escrito por Harry Brown e Mildred Lord, com Bette Davis, Richard Todd e Joan Collins.

Este DVD vinha numa colecção da Bette Davis que comprei. Não estava muito entusiasmada com ele, e se o visse em separado não o teria comprado. Por alguma razão, a história de Elizabeth I não me parecia apelativa. Desta vez, o meu instinto estava certo. The Virgin Queen não é um filme muito interessante.

O título é enganador: a personagem principal em The Virgin Queen não é a Rainha mas sim Raleigh, e seguimos o percurso das suas manipulações e aventuras (desventuras?) às mãos da Rainha. Não é que o filme seja chato – não é. Aliás, o guião está muito bem construído, cheio de acontecimentos e reviravoltas nos sítios certos, mas o problema é que as coisas que acontecem não são assim tão interessantes. Suponho que seja um filme mais para quem gosta de ver magníficos cenários e guarda-roupas.

E, claro, Bette Davis. Este não é o seu melhor papel, mas vê-la no ecrã é sempre uma boa experiência. Posso dizer o mesmo de Richard Todd e a sua barbicha carismática. Outro pormenor que me agradou foi a curiosa opção de não haver música nas (muito bem coreografadas) cenas de luta entre Raleigh e Christopher – só ouvimos as espadas, as mesas a serem viradas, os pratos a partir e o ocasional grito de uma ou outra donzela. Gostei também do humor (introduzido em todas os momentos adequados), sendo “that frog-eating villain!” o ponto alto para mim, seguido por alguns diálogos entre a Rainha e Raleigh.

Em suma, The Virgin Queen tem os seus pontos positivos, mas não é nada de especial. A futuros fãs de Bette Davis, recomendo antes What Ever Happened to Baby Jane? ou All About Eve.

Wolf Creek (2005)

16 Fevereiro, 2008

I was doing people a service really, by shooting them. There’s kangaroos all over the place… like tourists.

Três amigos andam a viajar pela Austrália e param em Wolf Creek para uma caminhada pela cratera. Quando voltam o carro não funciona, mas por sorte aparece um senhor muito amável que se dispõe a “ajudá-los”.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Greg Mclean, escrito pelo próprio, com Cassandra Magrath, Kestie Morassi e John Jarratt. Inspirado por acontecimentos reais.

Shock! Horror! Suspense!: Que seca de filme. Durante uma hora não acontece rigorosamente nada. É desesperante! “Mas será que vai acontecer alguma coisa? Alguém vai tropeçar numa pedra? Vai-se acabar a cerveja? Vai aparecer um canguru na estrada? Alguém vai espirrar? Qualquer coisa?” É que nem sequer é desenvolvimento das personagens – é mesmo só uma hora em que não acontece nada. E quando finalmente começam a acontecer coisas não é nada de jeito. Para começar há violência demasiado explícita, e as personagens são burras.
A única cena vagamente interessante no filme inteiro é uma em que eles estão fora do carro e a câmara está sempre a alternar entre o exterior e o interior do carro. Esses planos dentro do carro puseram-me nervosa. Mas claro, não aconteceu nada.

Aplausos: Blah.

Queixas: Todos os filmes em que há alguém que tem oportunidade de acabar com a ameaça, seja ela qual for, e não o faz sabe-se lá porquê, são filmes maus. Mesmo que numa situação de perigo o instinto seja fugir, será que não há pelo menos um bocadinho de instinto que diga “vê lá bem se está morto ou não!”? Enfim. O filme está cheio de inconsistências; nem souberam decidir se era de dia ou de noite, então decidiram ir alternando. Também achei estúpida a tentativa de ambiguidade no final… E nem sequer gosto do cartaz.

Comentário final: Depois da mensagem “desaparecem 3.000 pessoas na Austrália todos os anos”, tenho a certeza que este filme convenceu pelo menos duas pessoas no mundo a nunca ir à Austrália. Por isso acho que deviam ter acrescentado um segmento no final com um extended mix de Sun Arise de Rolf Harris, com imagens de kiwi birds, cangurus e crianças aborígenes a dançar. Era o mínimo que podiam fazer pelo turismo australiano. E sempre tornava o filme mais interessante.
Não percam tempo com Wolf Creek. O mais provável é adormecerem.

The Simpsons Movie (2007)

16 Fevereiro, 2008

Now remember kids, when you meet Jesus be sure to call him Mr. Christ.

É uma cena mesmo à Simpsons.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De David Silverman, escrito por James L. Brooks e Matt Groening, com vozes de Dan Castellaneta, Julie Kavner, Nancy Cartwright e Yeardley Smith.

Depois de tanto alarido, estava à espera de algo extraordinário. Algo nunca antes visto no grande ecrã, algo mesmo muito bom. Expectativas demasiado altas nunca ajudaram ninguém.

O filme tem piada. Mas há filmes que têm mais piada. O que é que faz deste filme dos simpsons “o melhor de sempre”? A resposta é uma: fãs loucos. Não que uma adoração cega seja uma coisa muito má, mas sejamos honestos, The Simpsons Movie é só mais um episódio da série. Um episódio muito comprido. Um episódio que alguém decidiu que ia passar no cinema em vez de passar na televisão.

E agora que vimos um episódio comprido, serei eu a única a achar que é melhor que se fiquem por episódios de tamanho normal? Um dos problemas de se esticar um episódio é que também se tem que esticar o enredo, e é preciso um número muito maior de gags. O enredo não é propriamente importante num filme dos Simpsons, mas as piadas são, e apesar de terem qualidade não são nada de outro mundo. Uma pessoa ri, sim, mas… Aliás, algumas até são bastante despropositadas. “I like men now”?

Não fiquem com a impressão que não gostei do filme. Houve momentos que até gostei bastante, como a apresentação “Uma Verdade Irritante” da Lisa, e o amigo-namorado irlandês (com um sotaque irlandês autêntico e muito querido) da Lisa. Não sei se já disse, mas a minha personagem favorita é a Lisa. Achei graça ao momento “Disney” com os animaizinhos. Não gostei da primeira palavra da Maggie (“sequel”, para quem não viu os créditos até ao fim).

The Shawshank Redemption (1994)

16 Fevereiro, 2008

So when Andy Dufresne came to me in 1949 and asked if I could smuggle Rita Hayworth into the prison for him, I said no problem.

Andy Dufresne é condenado a prisão perpétua e enviado para Shawshank. Aí conhece Red, o tipo que te arranja tudo, e com o passar do tempo ficam amigos. É uma história de redenção, e acima de tudo, esperança.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Frank Darabont, escrito pelo próprio, com Tim Robbins e Morgan Freeman. Adaptado de uma história de Stephen King, Rita Hayworth and Shawshank Redemption.
Título Português: Os Condenados de Shawshank

Shock! Horror! Suspense!: The Shawshank Redemption está cheio de horrores, violência e crueldade. Mas, tal como diz Stephen King no livro, “Hope Springs Eternal”. Apesar de todas as coisas más, esta acaba por ser uma história muito bonita, com uma excelente mensagem e personagens inesquecíveis.

Aplausos: Um grande, grande aplauso para Frank Darabont, pela maravilhosa adaptação. Tirando a questão de Red, todas as mudanças feitas à história de S. King foram muito bem pensadas e conseguem até melhorar o original, coisa que nunca pensei dizer de nenhum filme baseado numa história de Stephen King.

Queixas: Fiz questão de ler o livro primeiro, portanto já tinha uma ideia das personagens. No livro, Red é um irlandês, ruivo e tudo. Por isso quando vi Morgan Freeman é compreensível que tenha achado que aquilo era tudo uma grande intrujice. Depois habituei-me, mas continuo sem perceber a razão da mudança, até porque depois ignoraram problemas como o racismo. Uma prisão sem racismo?

Comentário: É difícil não gostar de The Shawshank Redemption. É um filme bastante acessível, e apesar de os acontecimentos não estarem disfarçados com adoçante artificial, há justiça, e a justiça põe sempre toda a gente bem disposta.
Este filme ganha muito com o elenco. Bob Gunton surpreendeu-me pela positiva. Mas o grande trunfo é mesmo a história. Alguém duvidava da capacidade de Stephen King?

La Science des Rêves (2006)

16 Fevereiro, 2008

I don’t understand you, Guy. I’m sorry, I don’t understand. I don’t understand you, either. I can’t understand you guys when you talk to me in two different languages, it makes me feel schyzometric. Schyzo… Schyzo…

Stéphane chega a Paris para ir ter com a mãe, viúva, que lhe arranjou um trabalho no excitante campo dos calendários anuais. Depois de um triste incidente com um piano, Stéphane conhece Stéphanie, sua vizinha, e apaixona-se. No meio de muitos sonhos, tenta conquistar o seu amor.
Trailer aqui. E um clip de ‘Stéphane TV’ aqui.

Ficha Técnica: De Michel Gondry, escrito pelo próprio, com Gael García Bernal e Charlotte Gainsbourg.
Título português: A Ciência dos Sonhos

Este filme é fofinho. Os sonhos, a fantasia, as sequências animadas, é tudo muito giro.

Thumbs up: O adjectivo “artístico” é tentador na descrição deste filme. Os sonhos estão mesmo muito giros.

Thumbs down: O filme é falado em três línguas (inglês, francês e espanhol), e isso às vezes torna-se um bocado confuso. Houve frases que não apanhei simplesmente porque não percebi que já tinham mudado de língua. O filme perde-se um bocado para o final. No princípio é muito interessante (e inovador), mas por volta do terceiro acto a força com que prende o espectador esvai-se. Ironicamente, os sonhos têm culpa neste aspecto, porque começam a confundir-se demasiado com a realidade.

Comentário geral: Michel Gondry também realizou o Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004), que é , sem rodeios, um filme brilhante. A Ciência dos Sonhos está aquém do irmão mais velho, mas vale por si.