Arquivos para a Categoria ‘Não Recomendados’

The Virgin Queen (1955)

16 Fevereiro, 2008

Really? That frog-eating villain!

Sir Walter Raleigh tem coração de marinheiro. Está por isso determinado a conseguir a autorização da Rainha Elizabeth I para construir três barcos destinados a explorações no Novo Mundo. Depois de o conhecer, a Rainha desenvolve uma inclinação especial por Raleigh, que por sua vez se toma de amores por uma das damas de companhia.

Ficha Técnica: De Henry Koster, escrito por Harry Brown e Mildred Lord, com Bette Davis, Richard Todd e Joan Collins.

Este DVD vinha numa colecção da Bette Davis que comprei. Não estava muito entusiasmada com ele, e se o visse em separado não o teria comprado. Por alguma razão, a história de Elizabeth I não me parecia apelativa. Desta vez, o meu instinto estava certo. The Virgin Queen não é um filme muito interessante.

O título é enganador: a personagem principal em The Virgin Queen não é a Rainha mas sim Raleigh, e seguimos o percurso das suas manipulações e aventuras (desventuras?) às mãos da Rainha. Não é que o filme seja chato - não é. Aliás, o guião está muito bem construído, cheio de acontecimentos e reviravoltas nos sítios certos, mas o problema é que as coisas que acontecem não são assim tão interessantes. Suponho que seja um filme mais para quem gosta de ver magníficos cenários e guarda-roupas.

E, claro, Bette Davis. Este não é o seu melhor papel, mas vê-la no ecrã é sempre uma boa experiência. Posso dizer o mesmo de Richard Todd e a sua barbicha carismática. Outro pormenor que me agradou foi a curiosa opção de não haver música nas (muito bem coreografadas) cenas de luta entre Raleigh e Christopher - só ouvimos as espadas, as mesas a serem viradas, os pratos a partir e o ocasional grito de uma ou outra donzela. Gostei também do humor (introduzido em todas os momentos adequados), sendo “that frog-eating villain!” o ponto alto para mim, seguido por alguns diálogos entre a Rainha e Raleigh.

Em suma, The Virgin Queen tem os seus pontos positivos, mas não é nada de especial. A futuros fãs de Bette Davis, recomendo antes What Ever Happened to Baby Jane? ou All About Eve.

Raising Helen (2004)

16 Fevereiro, 2008

Oh no, I bet this is lead paint. Kids, no chewing on the window sills!

Helen é uma mulher dedicada ao seu trabalho no mundo da moda. Quando de repente se vê com três miúdos à sua guarda, há mudanças inevitáveis…
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Garry Marshall, escrito por Jack Amiel e Michael Begler, com Kate Hudson, John Corbett e Joan Cusack.
Título Português: A Educação de Helen

Raising Helen não é bem uma comédia romântica. Há comédia (alguma), e há romance (”Pastor Dan just asked me out.” “That is so weird!”), mas o filme concentra-se mais na família, e na questão de aprender a ser boa mãe. Se estão à procura de um filme para grandes gargalhadas, procurem noutro lado.

Kate Hudson não consegue fazer papéis em que não seja adorável. É um facto da vida, temos que aprender a viver com ele. É um bom facto da vida, por acaso. Algumas partes do diálogo não seriam tão engraçadas sem a entoação que Hudson lhes dá. Também Joan Cusack (não confundir com o irmão, o fabuloso John Cusack) ganha pontos para Raising Helen. É uma actriz que gostava de ver mais vezes, noutro tipo de papéis (apesar de ela ser uma super-mom muito credível).

A escolha de Paris Hilton é que não se compreende. Sim, a Paris Hilton entra neste filme… Não diz nada, mas esta lá, ela e o seu cão vestido. Um cão vestido - é quase tão mau como um cão a jogar póquer. Mas isto já não tem a ver com o filme. O maior problema de Raising Helen (problema ainda maior do que a presença de Paris Hilton) é a falta de subtileza do guião. As comédias românticas não costumam primar pela subtileza, mas aqui os acontecimentos importantes são preparados de uma maneira tão directa que até irrita. Uma coisa é ser previsível, outra é ser estupidamente previsível.

Em termos de comédia, também podia ser muito melhor. É um humor mais do estilo “esta pessoa diz umas piadas giras” do que um humor de situações cómicas (apesar de também as haver). E a tentativa de usar o miúdo para “comic relief” é… bem, não é um falhanço total, mas anda lá perto. O que me agradou foi ser um humor bastante “limpinho”, e isto aliado aos valores (ou moral, como lhe queiram chamar) que sublinha, contribui para um filme com um tom muito agradável – e refrescante no meio das comédias românticas que saem de Hollywood nos últimos tempos.

Raising Helen é suavezinho, bom para se ver em família. É um filme de domingo à tarde – nada mais.

Pi (1998)

16 Fevereiro, 2008

When I was a little kid my mother told me not to stare into the sun. So once when I was six, I did.

Max é um matemático convencido que a resposta a tudo no universo pode ser encontrada nos números. A sua tese é que existem padrões numéricos no mundo, e com a ajuda de um computador tenta encontrar o padrão da Bolsa. Numa dessas tentativas o computador decide morrer, mas não sem antes deixar um número… Para o caso de estarem a pensar que este número é o pi, digo-vos já que não é.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Darren Aronofsky, com Sean Gullette.

Shock! Horror! Suspense!: Este filme é sobre paranóia/obsessão (ou então é sobre outra coisa qualquer). E nisso é bem sucedido: o que ali vemos é um obcecado paranóico. Algumas sequências são verdadeiramente inquietantes. Também há um certo toque surrealista, o que podia tornar as coisas interessantes se às vezes não fosse estúpido (como o cérebro no metro…). E quem é que tem paciência para ver um homem tomar comprimidos 40 vezes?

Thumbs up: A fotografia. Realmente, Matthew Libatique sabia o que estava a fazer. Se não fosse isto, acho que o filme jamais teria conquistado o seu estatuto de “culto”. As pessoas gostam de filmes com um ar artístico. A banda sonora combina, e no geral o ambiente foi bem conseguido. O final é interessante.

Thumbs down: O título é incompreensível. O pi aparece umas duas vezes ao todo e nem sequer é essencial. Se pensarmos um bocado podemos inventar uma tese ou duas para explicar a escolha, mas isso é para quem tem tempo para essas coisas. A personagem principal é pouco empática, e no meio das mil cenas de comprimidos e alucinações no metro, às tantas já me estava nas tintas para o que ele fazia ou deixava de fazer. Este filme era bem melhor se fosse uma curta.

Comentário geral: A cena famosa de Pi é a que precede o final. É horrível. Horrível no sentido de caneco-vou-desligar-não-quero-ver-isto-argh. O homem [spoiler] espeta um berbequim na cabeça [/spoiler]. Yah. Feitas as contas, acho que não preciso de ver Pi outra vez na vida.

The Island (2005)

16 Fevereiro, 2008

You’ve been chosen. The Island awaits you.

Lincoln Six Echo e Jordan Two Delta vivem num dos últimos sítios protegidos da contaminação do mundo exterior. Todos esperam pela sua vez de ganhar a Lotaria, que os levará à Ilha, o último paraíso terrestre. isto até ao dia em que descobrem a verdade da sua condição e fogem.
Trailer aqui.

Ficha Ténica: De Michael Bay, escrito por Caspian Tredwell-Owen, Alex Kurtzman, Roberto Orci, com Ewan McGregor e Scarlett Johansson. Remake de The Clonus Horror (1979).
Título Português: A Ilha

Clonagem do ponto de vista dos clones. O que é que há de errado com esta premissa? Absolutamente nada. É uma excelente premissa. E é mesmo impressionante a habilidade com que Michael Bay conseguiu transformar esta óptima ideia num péssimo filme.

A Ilha até começa bem - o ambiente é muito 1984. Toda a história da Ilha, da lotaria, o controlo, é muito interessante. Mas a partir do momento em que eles descobrem a verdade e decidem fugir… Argh. O filme transforma-se num anúncio gigante cheio de explosões e pessoas a gritar “run!”. Tenho a certeza que há pessoas que gostam de cenas de perseguições e explosões que duram 30 minutos. Eu não sou dessas pessoas. Eu sou daquelas pessoas que fica muito chateada quando estragam uma boa ideia com explosões perfeitamente desnecessárias - que ainda para mais foram caras e “forçaram” a inclusão de pelo menos 15 marcas diferentes ao longo do filme: todas elas muito in your face, isto é publicidade!

Há imensas inconsistências no argumento, e os protagonistas são praticamente imortais. A certa altura caem de um prédio de uns 130 andares e a explicação que é dada para não terem morrido é “Jesus loves you”. Jesus loves you?? Desculpem lá mas para eu acreditar que é possível sobreviver àquilo têm que me dar uma explicação melhor que essa. Mas ok, este é um filme de acção, não é suposto ser muito plausível, consigo perdoar estes pormenores.

O que já é mais difícil de perdoar são alguns diálogos. “As mulheres são escolhidas para procriar”? “Regra universal: nunca dar um cartão de crédito a uma mulher”? Quem é que escreveu este lixo? As personagens nem sequer são consistentes. Querem que eu acredite que um homem que não questiona o seu trabalho se preocupa com teorias elaboradas sobre a lotaria? Se ele é resignado, é resignado e pronto; ou é bipolar?

A sério, o que é que eles estavam a pensar quando fizeram este filme? Scarlett, o que é que tu estavas a pensar?

Death Proof (2007)

16 Fevereiro, 2008

It’s better than safe. It’s death proof.

Miúdas com pouca roupa e um homem perigoso num carro.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Quentin Tarantino, escrito pelo próprio, com Kurt Russel.
Título Português: À Prova de Morte

Finalmente vi o filme. Finalmente vejo que podia muito bem ter esperado mais um pouco, digamos uns 45 anos. A crítica conseguiu dar a Death Proof a reputação de obra-prima, e os fãs não se cansam de dizer o quanto adoraram o filme. Acho que até já há roupa interior de Death Proof à venda no Lidl.

Para onde quer que olhe só vejo pessoas a dizerem que Death Proof é um filme sobre filmes, que qualquer pessoa que gosta de cinema gosta de Death Proof, e isto e aquilo e não sei que mais. Deixem que vos diga: isso é uma bela tanga. Death Proof pode ser excelente para quem gosta de filmes trash e para quem passou a infância em Grindhouses, mas para a maioria da população? Acho difícil de acreditar. Se é verdade então podemos esperar um remake de Vanishing Point para 2009 (de Eli Roth, provavelmente), ou, se tivermos mesmo muita sorte, talvez alguém faça um remake de The Slime People.

Agora relativamente ao conteúdo de Death Proof… É escusado dizer que não há sombra de enredo ou de lógica aqui. Mas ok, também não era essa a ideia, e há sexploitation e carsploitation que chegue para quem gosta dessas coisas. Quer dizer, será que há? Não, se calhar não há, porque não acontece rigorosamente nada neste filme. Nada, niente, rien de rien. É só um monte de conversa. Conversa, conversa, conversa. As raparigas não se calam - cada vez que abrem a boca temos que levar com meia hora de conversa da treta! Não é preciso ser impaciente nem ter um défice de atenção para se apanhar uma grande seca.

Nem sequer as cenas de acção são muito interessantes, porque não passa de um jogo que carrinhos de choque com sangue à mistura. E mesmo assim, são só vinte minutos de carrinhos de choque, ao contrário do que o trailer possa sugerir.

Há coisas giras no filme. A banda sonora, para começar. E há algumas boas referências no meio das referências desinteressantes. Mas, no geral, Death Proof é uma desilusão. Não tenho nada contra filmes trash ou exploitation, alguns são bastante divertidos, mas Death Proof… não é. Se saíram do cinema bem dispostos o mérito é daquela música dos créditos finais que é mesmo um espectáculo.