Arquivos para a Categoria ‘5 Ratos na Cave’

The Nanny (1965)

16 Fevereiro, 2008

Can you sack her, then? Please?

Joey acaba de sair da instituição para a qual o mandaram depois de a irmã morrer em estranhas circunstâncias. Quando volta para a sua família perfeitamente disfuncional, Joey reencontra a Ama. Basta dizer que os dois não se dão bem. Nada bem.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Seth Holt, escrito por Jimmy Sangster, com Bette Davis e William Dix. Baseado no romance homónimo de Marryam Modell.

Shock! Horror! Suspense!: The Nanny é exactamente aquilo que todos os filmes de terror/thrillers deviam ser. O suspense está muito, mas mesmo muito bem conseguido. A Ama é simplesmente tenebrosa, com o seu estilo low-profile creepy. Joey tem outro estilo, é mais high-profile rapaz perturbado. Ambos contribuem para uma atmosfera muito sinistra e cheia de tensão. Há cenas que ficam gravadas na memória, como aquela em que a Ama está a espreitar para dentro do quarto de Joey… Inquietante. Este filme não deve ser visto por crianças.

Aplausos: Bette Davis! Em muitas palavras, Bette Davis é maravilhosa, magnífica, brilhante e sublime. Ela é a grande estrela deste filme, mas todo o elenco é óptimo, especialmente William Dix e Pamela Franklin. A história é verdadeiramente trágica e arrepiante, e está tão bem contada que é impossível não sentir empatia por aquelas pessoas. Há humor, apesar de algum dele não me parecer intencional. A saída de Joey, “Can you sack her, then? Please?”, arranca-me sempre uma gargalhada completamente despropositada. Mas o grande trunfo do filme é sem dúvida o ambiente muito intenso. E claro, Bette Davis.

Queixas: Só uma: este filme não ser mais conhecido.

Comentário final: Hammer + Bette Davis. Está tudo dito. The Nanny é um dos meus filmes mais-que-preferidos.

Hush… Hush, Sweet Charlotte (1964)

16 Fevereiro, 2008

Chop chop, sweet Charlotte / Chop chop till he’s dead / Chop chop, sweet Charlotte / Chop off his hand and head

Charlotte, rapariga nova e bonita, planeia fugir com John, um homem casado. Mas quando o pai descobre o plano, John é forçado a deixar Charlotte - acabando assassinado. 37 anos depois Charlotte recusa-se a abandonar a ca

sa onde sempre viveu. Decide então chamar a prima para a ajudar, e o passado volta a ser lembrado.
Trailer aqui (volto a lembrar: trailers antigos não se recomendam a quem ainda não viu o filme)

Ficha Técnica: De Robert Aldrich, escrito por Henry Farrell e Lukas Heller, com Bette Davis, Olivia de Havilland e Joseph Cotten.
Título Português: Com a Maldade na Alma (espero que quem traduziu este título tenha tido um caso grave de urticária durante muito tempo.)

Hush… Hush, Sweet Charlotte vem no seguimento de What Ever Happened to Baby Jane?. São histórias completamente diferentes, mas seguem os mesmo temas e estão dentro da mesma “onda”, ou seja, são duas maravilhosas obras-primas de suspense. Se não fosse a minha inclinação particular por Baby Jane, nem saberia dizer qual destes dois filmes é melhor.

Passa-se que Robert Aldrich é um génio. Todos falam do Hitchcock (e falam muito bem!), mas dêem algum crédito a este senhor também. Charlotte é extremamente climático - a acção evolui num crescendo de tensão, e é impossível o espectador não se envolver completamente à medida que tenta descobrir afinal o que é que se passa ali. A maneira de filmar é muito anos 60, e muito Aldrich (quem viu Baby Jane vai reconhecer a mão dele), o que nos mostra como o cinema era eficaz antes dos efeitos especiais de agora. O uso das sombras é simplesmente sublime.

Se há filme que merece as palavras “Shock! Horror! Suspense!” em letras garrafais é este certamente! Tal como em Baby Jane, há pequenos elementos que dão ao filme aquele ambiente sinistro: o relógio (que podia ter sido mais usado), a caixa de música, e aquelas escadas! Charlotte consegue ser genuinamente assustador!

Mas a palavra de ordem para a primeira vez que se vê este filme talvez seja “choque”. Não só porque a história é suspreendente, mas também por causa da maneira como algumas cenas são executadas. Não sei se o mesmo aconteceu com outras pessoas, mas eu não estava à espera daquela cena do crime - não fiquem com a ideia errada, eu acho que a cena está perfeita! E o mesmo digo da cena da cabeça. Essa então é das melhores cenas que já vi. Mais não digo, senão entro no domínio proibido dos spoilers. Vejam o filme!

Halloween (1978)

16 Fevereiro, 2008

You must be ready for him…

Aos 6 anos, Michael Myers assassinou a irmã. 15 anos depois ele foge do hospital e regressa à sua terra natal. Neste Halloween, as “partidas” vão ser a sério.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De John Carpenter, escrito pelo próprio e Debra Hill, com Jamie Lee Curtis e Donald Pleasence.
Título Português: Halloween, o Regresso do Mal

Shock! Horror! Suspense!: Halloween é um filme de terror a sério. A ameaça instala-se desde o primeiro minuto, e segue num crescendo até ao final, terminando (?) mesmo só no último segundo. O suspense está muito bem conseguido, e Carpenter intercala o desenvolvimento das personagens com sustos e sinistras aparições de Michael Myers. A máscara, a música, a maneira como Michael nem se preocupa em correr para apanhar as suas vítimas, tudo é tenebroso. É cá uma sensação de desespero… Aquele homem recusa-se a morrer! Os últimos 30 minutos quase me deram um ataque de coração.

Aplausos: Não há sangue neste filme. O suspense, sem dúvida; Halloween é um estudo detalhado de como produzir um ambiente tenso. John Carpenter praticamente inventou um sub-género com Halloween.

Queixas: Uma das miúdas é “totally” irritante. Laurie nem sempre faz as escolhas mais acertadas… Mas o filme está tão bem feito que isto se perdoa facilmente.

Comentário: Como não gosto muito de slashers, Halloween nunca tinha estado na minha lista de filmes a ver. Lá dei o braço a torcer depois de ouvir tanto sobre a genialidade deste filme, e só posso dizer que ainda bem que o fiz! Halloween é um dos melhores filmes de terror de sempre. É mesmo só isso que há a dizer sobre o filme.
John Carpenter, estás perdoado pelo que fizeste a Village of the Damned.

The Descent (2005)

16 Fevereiro, 2008

I’m an English teacher, not f*cking Tomb Raider!

Seis amigas aventureiras juntam-se para explorar uma gruta. A certa altura uma derrocada bloqueia a entrada da gruta, e agora o problema é encontrar uma saída dali para fora. Quando começam a aparecer umas criaturas esquisitas por todos os lados a coisa fica mesmo chata para elas.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Neil Marshall, escrito pelo próprio, com Shauna Macdonald e Natalie Mendoza.
Título português: A Descida

Shock! Horror! Suspense!: C’um caneco! Nunca mais entro numa gruta. Este filme tem realmente uma atmosfera quase perfeita, como eu já não via num filme de terror contemporâneo há séculos. As “coisas” (crawlers) são assustadoras, mas antes de entrarem sequer em cena o filme já se está a divertir à grande e à francesa com a tensão que provoca no espectador. Aliás, eu própria decidi que nunca mais na vida entrava numa gruta ao fim de apenas meia hora de filme. As primeiras aparições dos monstros estão muito bem feitas. A primeira de todas especialmente (e o som que a precede)… Tive vontade de parar o filme para ir inspeccionar a casa toda a ver se não havia uma coisa daquelas nalgum canto. Shock, horror, suspense, este filme tem de tudo e muito.
De 0 a 5, há 5 ratazanas cegas na gruta.

Thumbs up: O elenco é todo feminino. How cool is that? Há sotaques para dar e vender. Brilhante aproveitamento da (falta de) luz na gruta, e da claustrofobia que está sempre associada a esses sítios. O final (certifiquem-se que vêem o final “verdadeiro”, não o americano)…

Thumbs down: Tem a sua quota parte de sangue e nojentices, mas como aquilo é tudo muito escuro nem se percebe bem. Há uma cena muito frustrante, só dá vontade de insultar uma das personagens! E fiquei desiludida por não se terem lembrado de uma coisa que me ocorreu ao ver o filme e que era gira: [spoiler] a miúda ir apagando uma vela cada vez que uma delas morria [/spoiler].

Comentário geral: Acho que The Descent é capaz de apelar a quem não gosta de filmes de terror, porque é, feitas as contas, um bom filme em todos os aspectos. Quem gosta de analisar tudo e mais alguma coisa, encontra aqui material para muitas análises (e há várias teorias sobre o filme por aí na internet). Mas aprendam com os meus erros: não vejam este filme sozinhos às escuras. A parte do “às escuras” tem que ser - o filme exige-o - mas arranjem companhia. Um ursinho de peluche serve.

Carrie (1976)

16 Fevereiro, 2008

Did any of you ever stop to think that Carrie White has feelings?

“You eat sh*t” é das coisas mais simpáticas que Carrie White ouve na escola. “Pray and ask God to forgive your sins!” é praticamente a única coisa que ouve em casa. É natural que Carrie não seja uma adolescente muito feliz. Por pena (e culpa), Sue Snell decide fazer algo de bom pela rapariga e pede ao namorado, Tommy, que leve Carrie ao baile de finalistas. E estava tudo a correr tão bem…
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Brian de Palma, escrito por Stephen King (romance) e Lawrence D. Cohen, com Sissy Spacek, Piper Laurie e John Travolta.

Shock! Horror! Suspense!: A Carrie tem sentimentos, e nós também. É difícil não sentir empatia/simpatia por ela e vem tudo num crescendo, pelo que a cena do baile se torna muito poderosa. Assim como tudo o que se segue. A Carrie não é maquiavélica, mas… pronto, ela mete um bocado de medo toda cheia de sangue com aqueles olhos muito abertos. Apesar de tudo, a mãe dela bate-a aos pontos.

Thumbs up: Sissy Spacek é perfeita. A cena do baile também (não é à toa que ficou na história do cinema como uma das mais marcantes de sempre). As cenas entre mãe e filha. A música ao estilo de Psycho, aliás, toda a banda sonora. O S. Sebastião. Os momentos mais descontraídos. Tudo, basicamente. Carrie é uma das minhas histórias preferidas.

Thumbs down: Brian de Palma disse que considera o uso do ecrã dividido na cena do baile “um erro” porque “distancia” o espectador. Eu discordo.

Comentário geral: Esta é uma das melhores adaptações de uma história do Mestre Stephen King. É muito fiel ao livro, menos no final (que é óptimo tanto no livro como no filme). Brian de Palma revela-se genial em Carrie, e se fizermos comparações com, por exemplo, A Dália Negra, só podemos concluir que o homem perdeu qualidades.

triste que Carrie seja classificado muitas vezes apenas como terror. Tenho a certeza que isso afasta muita gente. Na verdade Carrie é um drama (com um toque de terror); uma verdadeira história de partir o coração.

A Nightmare On Elm Street (1984)

16 Fevereiro, 2008

One, two, Freddy’s coming for you.
Three, four, better lock your door.
Five, six, grab your crucifix.
Seven, eight, gonna stay up late.
Nine, ten, never sleep again.

Há pessoas que às vezes sonham que morrem. Não sei bem o significado desses sonhos, mas parece-me que tem a ver com felicidade e renascimento. Em Elm Street estas interpretações new age não se aplicam, porque enquanto Fred Kreuguer andar à soltar quem morre num sonho… morre mesmo.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Wes Craven, escrito pelo próprio, com Heather Langenkamp e Johnny Depp.
Título Português: Pesadelo em Elm Street

Deixem-me começar por dizer que a ideia de Pesadelo em Elm Street é genial. Wes Craven inspirou-se numa história que leu no jornal: um grupo de crianças começou a ter pesadelos depois de um acontecimento traumático. Os pais insistiram para que dormissem, e para desgraça de todos, as crianças obedeceram… e não voltaram a acordar. Qual é a linha que separa sonhos e realidade? Até que ponto é que a realidade se funde com o sonho? E o que são sonhos? Se calhar estas perguntas não têm resposta em Elm Street, mas caramba, o filme é mesmo espectacular.

É um projecto low-budget, dos anos 80. Isto deve dar já a ideia do que esperar: efeitos especiais ultrapassados, e o Johnny Depp com uma camisola curta de umbigo à mostra. Quanto aos efeitos especiais não sei se serão uma coisa má. Afinal de contas, quem é que não gosta de se sentir inteligente quando consegue perceber logo como é que determinado efeito foi conseguido sem computadores? Claro que aquela cena em que uma personagem cai da janela e aterra num colchão perfeitamente visível e nada disfarçado é capaz de irritar alguns espectadores, mas são pormenores…

Outro ponto a favor destes efeitos especiais em Elm Street, é que foram mais utilizados para dar uma atmosfera surreal ao filme do que para simular tripas e mortes. As tripas e o sangue estão lá, evidentemente, ou não fosse o filme famoso por uma cena em que chove sangue aos potes, capaz mesmo de competir com a onda de sangue que sai do elevador no Shining. Mas o enfoque principal são imagens como Freddy de braços estranhamente alongados, escadas recheadas de uma substância pegajosa, mãos que saem de paredes, camas suspeitas, uma tempestade na banheira, telefones mutantes,…

É tudo muito divertido, e estamos sempre na dúvida se o que está a acontecer é a realidade ou mais um sonho, ou ainda um sonho dentro de um sonho. Elm Street consegue ser sinistro e inquietante sem ser assustador. É verdade que não tem o charme de Halloween, mas tem o Johnn Depp, e acho que para muitos(as) isso chega.