Arquivos para a Categoria ‘3 Ratos na Cave’

Parents (1989)

27 Março, 2008

“What’s this we’re eating?”
“Leftovers.”
“We’ve been eating leftovers ever since we moved. I wanna know what they were before they were leftovers.”
“They were leftovers-to-be.”

Um filme de Bob Balaban, escrito por Christopher Hawthorne, com Randy Quaid, Mary Beth Hurt e Bryan Madorsky.

ParentsOs pais do pequeno Michael são duas criaturas sinistras. A mãe é uma dona de casa muito dedicada à cozinha, onde prepara refeições elaboradíssimas. O pai faz sabe Deus o quê o dia todo e quando chega a casa gosta de assustar o filho com a sua austeridade e de comer as carnes que a mulher prepara. E aqui está um dos pormenores horríveis desta família: comem tanta carne! Ao pequeno-almoço, ao almoço, ao lanche, ao jantar, antes de dormir, só carne, carne, carne, é absolutamente nojento.

Portanto não é de estranhar que Michael tenha pesadelos. Com carne. Michael é um miúdo estranho, mas a sua estranheza é inteiramente fruto das circunstâncias. Se duvidam, vejam: o pai conta-lhe coisas como a receita da invisibilidade (que consiste em chupar ossos de gato preto assado vivo no forno) e histórias sobre um menino mal-comportado que cresceu e se tornou um homenzinho triste e egoísta; a mãe dá-lhe quantidades obscenas de carne e diz-lhe “sai daqui, Michael” de uma forma tão maternal que faz lembrar Freddy Krueger; conduzem um “oldsmobile” e os dois fazem coisas esquisitas a meio da noite com “roupa lavada” e quantidades suspeitas de algo extremamente parecido com sangue.

Como é que Michael pode ser um rapaz normal? Pois bem, não é, mas não é o único. Sheila, sua colega de turma, diz que veio da Lua, onde não há pais, e pretende voltar quando acabar a escola – e levar Michael com ela. Os dois desenvolvem uma capacidade extraordinária de se meter em sarilhos, sarilhos que vão aproximar Michael da verdade sobre os seus pais.

Parents tem uma premissa interessante, mas é o primeiro feature de Balaban e isso nota-se. Há uma certa confusão em alguns planos, que aparecem no ecrã como intrusos num conjunto, e várias imprecisões lógicas na acção que se tornam particularmente irritantes nalgumas cenas, como aquela em que o pai parece ficar surdo e cegueta e não dá pela presença evidente de Michael, o jovem peeping-tom-to-be.

É interessante como uma criança inexpressiva funciona tão bem num filme deste tipo. Neste campo, Madorsky promete; tem um ar perpetuamente triste e sério, que assenta em Michael como uma luva. É pena que não tenha feito mais filmes. No geral, Parents é um filme comme ci comme ça, mas tem o seu humor negro e satisfaz os desejos básicos de quem procura um filme de terror: uma atmosfera inquietante q.b. com um ou dois sustos pelo meio. Convém é dizer que é tudo muito campy.

E a moral da história? Meat is murder – muito literalmente.

Salem’s Lot (1979)

16 Fevereiro, 2008

Open the window. Open the window. It’s okay, I’m your friend. Let me in!

Ben Mears volta a Salem’s Lot para escrever o seu novo romance sobre a velha casa “assombrada” da aldeia. Pouco tempo depois de se instalar e fazer amizades (e inimizades), as pessoas de Salem’s Lot começam a morrer como tordos. E aparecem os vampiros…
Trailer aqui (está em japonês, por isso é provável que achem uma certa piada).

Ficha Técnica: De Tobe Hooper, escrito por Paul Monash, baseado num romance de Stephen King, com David Soul e Bonnie Bedelia.

Shock! Horror! Suspense!: Sendo uma adaptação que se mantém, na maior parte do tempo, fiel aos eventos escritos por S. King, é um dado adquirido que é bom neste campo. No entanto, acho que podiam ter acelerado um bocado o andamento do filme (ou melhor, mini-série); não tem pressa absolutamente nenhuma de chegar “à parte boa”. Para compensar, há momentos que valem mesmo a pena, e há uns quantos momentos de choque. A cena da janela está imortalizada na memória de todos os que viram este filme.

Thumbs up: A tal cena da janela. É clássica. E há uma piscadela de olho evidente a Nosferatu, o que apesar de não ter nada a ver com o livro, tem a sua graça no ecrã. Não há sangue (é mesmo verdade!).

Thumbs down: Tornaram uma das personagens mais importantes do livro absolutamente dispensável e até ridícula no filme (o padre). Não gostei muito que tivessem mexido na ordem dos acontecimentos só para produzir aquele final mesmo “à filme”.

Comentário geral: Fiquei com a impressão que esta era uma produção mais orientada para os fãs do livro do que para quem não o leu. Aliás, há coisas que estão subentendidas mesmo só para quem sabe “a história toda” e que se calhar se tornam confusas para os outros. Isto nem seria assim tão problemático se não fosse logo afectar uma das principais cenas de confronto.
Sugiro antes o livro, que é óptimo.

The Omen (2006)

16 Fevereiro, 2008

It’s all for you, Damien!

O embaixador Thorn adopta um miúdo quando o seu próprio filho morre à nascença. Má ideia: o miúdo é o Anticristo.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De John Moore, escrito por David Seltzer, com Liev Schreiber, Júlia Stiles, Seamus Davey-Fitzpatrick e Mia Farrow. Remake de The Omen (1976).
Título Português: O Génio do Mal (O Génio da Lâmpada já existia…)

Este é provavelmente um dos poucos remakes de Hollywood que não são uma porcaria completa. É fiel ao original. Pode ser que perguntem qual o objectivo de revisitar algo se vão fazer tudo igual (e é uma boa pergunta), mas eu prefiro pouca originalidade a criatividade desmedida, se é que me entendem (Village of the Damned, Sr. Carpenter?).

A única coisa que me chateou neste filme foi terem cortado a cena de confronto entre a ama e o pai na cozinha. Essa é para mim uma das melhores cenas do original e podia ter sido uma das melhores cenas do remake também, especialmente tendo em conta a óptima interpretação de Mia Farrow. Liev Schreiber é que não me convenceu mesmo nada. Deviam ter escolhido alguém mais velho, e o mesmo vale para Julia Stiles. O casal funciona melhor a nível dramático se estiverem na meia-idade.

Apesar de não ser uma total perda de tempo, este remake acaba por ser redundante. A não ser que não tenham nada para fazer, fiquem-se pelo original.

Shock! Horror! Suspense!: A subtileza não é o ponto forte deste filme, mas quem precisa de subtileza quando se tem um miúdo tão sinistro como Seamus Davey-Fitzpatrick? Aquele olhar é maligno! Este Damien é sem dúvida o que mais gostei no filme.

Houve uma tentativa de juntar alguns sustos rápidos à história, sobretudo através de sequências de sonhos, mas essa tentativa resume-se mais a sons altos do que outra coisa. E por falar em som, a banda sonora não se compara à do original, que abria maravilhosamente com Ave Satanis.

O inevitável update às mortes é que me surpreendeu pela positiva; na cena da decapitação até melhoraram significativamente o original. A maneira como o corpo cai deu-me arrepios!

Population 436 (2006)

16 Fevereiro, 2008

The residents of Rockwell Falls are dying for you to visit.

“Welcome to Rockwell Falls, population: 436″. Rockwell Falls é uma aldeia pacata: há vizinhos que se dão bem, donas de casa que fazem muffins de mirtilo (so american.), festivais a toda a hora e um mistério sinistro: a população permanece inalterável há 100 anos. Por acaso dá um certo jeito, não têm que andar a toda a hora a corrigir o sinal à entrada da vila.
Sequência de abertura aqui.

Ficha Técnica: De Michelle Maxwell MacLaren, escrito por Michael Kingston, com Jeremy Sisto, Peter Jordan e Fred Durst.
Título português: A Cidade Maldita (ganhou o prémio ‘Brutal Falta de Originalidade’)

Shock! Horror! Suspense!: O ambiente de Population 436 é bastante reminiscente de Village of the Damned, The Village e Stepford Wives. Isto é positivo. A trama em si é algo um pouco ao estilo de Stephen King, o que também é positivo. E aquela malta é doida, o que é sempre bom.

Thumbs up: Definitivamente o ambiente. Tenho um fraquinho por aldeolas sinistras, admito.

Thumbs down: Um final completamente previsível.

Comentário geral: Population 436 não é nenhuma obra prima, nem está destinado a ficar na História do cinema como clássico. Mas são duas horas agradáveis, e se tivermos em conta que é um low budget, temos que admitir que até se saíram bastante bem. Ah, e não se preocupem, o Fred Durst está decente. Por acaso nem o reconheci.

Janghwa, Hongryeon (2003)

16 Fevereiro, 2008

Sabes o que é que é mesmo assustador? Queres esquecer qualquer coisa. Apagá-la completamente da tua mente. Mas nunca consegues. Não se vai embora. E segue-te como um fantasma.

Su-mi e Su-yeon regressam a casa depois de uma temporada no hospital, mas o chavão “lar doce lar” está longe de se aplicar. O pai não faz ideia de nada, a madrasta é malvada, e a casa parece assombrada. Para além de tudo isto, começam a surgir memórias inconvenientes…
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Ji-woon Kim, escrito pelo próprio, com Su-jeong Lim e Geun-yeong Mun.
Título português: História de Duas Irmãs

Shock! Horror! Suspense!: O ambiente é um bocado pesado, mas só há um ou dois momentos de choque/terror no filme inteiro, um deles muito creepy. História de Duas Irmãs é muito misterioso, e inova porque tem não uma mas duas grandes reviravoltas na história. O problema é que a primeira não faz muito sentido até se chegar à segunda.

Thumbs up: Quando finalmente percebi o que se estava a passar, gostei imenso da história. Os coreanos sabem fazer filmes.

Thumbs down: Que filme tão confuso… Não sei como é possível entender isto à primeira.

Comentário geral: Apesar de no final os acontecimentos serem (mais ou menos) explicados, é preciso algum exercício de raciocínio para compreender o significado da maior parte do filme. Ou isso ou pedir a alguém que nos explique, e depois ver o filme outra vez. O que é certo é que depois de se perceber tudo faz sentido e vemos que o filme até está bem feito.

Horror of Dracula (1958)

16 Fevereiro, 2008

Hammer Horror!

Esta jóia do cinema é um dos primeiros clássicos que veio do seio das produções Hammer. É uma boa adaptação da história original de Bram Stoker, ou seja: o Conde Drácula vive num castelo, Jonathan Harker dá com ele, e o resto é deixado a cargo de Van Helsing. Também há umas mulheres pelo meio.
Uma cena do filme aqui.

Ficha Técnica: De Terence Fisher, escrito por Bram Stoker (romance) e Jimmy Sangster, com Christopher Lee e Peter Cushing.

Shock! Horror! Suspense!: Nos gloriosos dias de ‘58, Horror of Dracula era um grande shocker. Não só pelas cenas de choque como pela violência e sexualidade mais explícita (coisas inéditas no cinema). Comparativamente com os dias de hoje, a quantidade de sangue é mínima, a sexualidade está apenas implícita, e o choque não choca assim tanto. Audiências mal habituadas, é o que eu digo. Ainda assim, há várias cenas dignas da classificação “terror”. Só é pena a banda sonora armar-se em drama queen às vezes. Mas isso também faz parte do encanto, é muito anos 50.

Thumbs up: Peter Cushing. Christopher Lee é o Drácula. A melhor cena da morte do Drácula de sempre! (Antes que me apedrejem, admito que não vi todas as mortes do Drácula alguma vez feitas. Mesmo assim, melhor do que esta é mesmo muito difícil…)

Thumbs down: Há partes cómicas (não era suposto). Acho que toda a gente se desmancha a rir quando o Drácula abre a porta da cave, grita, e volta a fechá-la muito depressa. Nessa cena dei por mim a pensar, “mas isto aconteceu mesmo?”

Comentário geral: Não me lembro de nenhum elenco com tantos olhos azuis. Peter Cushing e Christopher Lee são duas lendas, é óptimo vê-los em Horror of Dracula. O filme tem a marca de qualidade Hammer e não desilude. Um clássico, e um must para todos os fãs do Conde.

Ginger Snaps Back: The Beginning (2004)

16 Fevereiro, 2008

Together forever.
Canadá, 1815. Ginger e Brigitte perdem-se na floresta, acabando por ser salvas por um índio que as conduz ao forte da Northern Legion Trading Company para se refugiarem. Mas este forte está longe de ser seguro.
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Grant Harvey, escrito por Stephen Massicotte e Christina Ray, com Katharine Isabelle e Emily Perkins.
Título português: Tentadora Maldição 3: O Começo (yuck x 3)

Shock! Horror! Suspense!: Yep. Estes lobisomens são fixes. Há alguns sustos aqui e ali, e duas cenas climáticas muito bem feitas (no forte e na floresta). A certa altura os olhos da Brigitte ficam muito, muito, muito perturbadores.

Thumbs up: Ginger. Brigitte. (: Aquela cena na floresta. Lovely ending. A banda sonora! E falaram no Wendigo, isso dá logo praí uns mil coolness points.

Thumbs down: Bem, este é definitivamente muito diferente dos outros dois. Continua a haver uma certa vibe feminista, mas muito diluída, e as próprias personagens estão um bocadinho desvanecidas. Às vezes parecem apenas uma sombra da Ginger e Brigitte que conhecemos, mas isso até é compreensível dada a época em que o filme se passa. O humor dos outros filmes tirou férias. E a saída “These people are fucked (focked)” apesar de ter piada, está um bocado fora do contexto no ano de 1815.

Comentário geral: Whoa, subtexto o_o Isto de certeza que deu páginas e páginas de fanfiction por aí…
É o mais fraco da trilogia Ginger Snaps, mas nem por isso é um mau filme. Está é dentro de uma onda diferente, por isso percebo que alguns fãs tenham ficado desapontados. Ao contrário de muitas prequelas, não é irritante.

Dead of Night (1945)

16 Fevereiro, 2008

I have been here before, in my dreams.

Walter Craig é convidado para um fim de semana com algumas pessoas no campo. Quando chega, Walter apercebe-se que algo não está bem. Aquelas pessoas não são estranhas como seria suposto. Ele já as viu… em sonhos. O que se segue é um conjunto de histórias contadas por cada personagem, ligadas muito tenuemente pela história principal.

Ficha Técnica: De A. Cavalcanti, C. Crichton, B. Dearden e R. Hamer, escrito por John Baines e Angus MacPhail, com Mervyn Johns e Roland Culver. Com histórias de H.G. Wells, E.F. Benson, John Baines e Angus MacPhail.

Shock! Horror! Suspense!: Alguns segmentos são bons, outros nem por isso. A história sobre a rapariga que encontra o fantasma já está um bocado batida, e mesmo que na altura fosse nova, é difícil vê-la agora com o mesmo entusiasmo. Por outro lado, o segmento do espelho é muito bom. Faz lembrar aquelas séries de terror e mistério que passavam na rádio há algumas décadas, ou mesmo Twilight Zone. E bonecos de ventríloquos sempre me pareceram muito suspeitos.

Aplausos: O filme é mesmo à moda antiga, tanto a nível de estilo como de terror. Tem muito charme, portanto.

Queixas: Tendo em conta o ano em que foi feito, nenhumas.

Comentário: Dead of Night é um filme interessante pela sua estrutura. Foi aqui que filmes como Creepshow, Tales From the Crypt e muitos outros se vieram inspirar para os seus filmes-antologia. Aqui a narrativa não se limita apenas a estar fragmentada, move-se circularmente, e dá ao filme um verdadeiro aspecto de pesadelo!

Mas Dead of Night já tem mais de 60 anos, e a idade transparece. Para grande parte da geração habituada ao cinema dos dias de hoje, especialmente se não estiver familiarizada com estes filmes-antologia, esta não será a melhor escolha. Mas quem quiser regressar às bases vai decerto perceber porque é que Dead of Night foi tão influente.

Creature from the Black Lagoon (1954)

16 Fevereiro, 2008

O Monstro da Lagoa Negra, um clássico!

Um grupo de cientistas prepara uma investigação de um estranho fóssil na Lagoa Negra. O que nenhum deles espera é encontrar um monstro anfíbio pré-histórico, e muito menos que este se tome de amores pela única mulher na expedição…
Trailer aqui.

Ficha Técnica: De Jack Arnold, escrito por Harry Essex e Arthur A. Ross, com Richard Carlson, Julie Adams e Richard Denning.

Shock! Horror! Suspense!: Sendo um filme dos anos 50, com um monstro dos anos 50, num fato de borracha dos anos 50 (mesmo com todo a magia que lhe esta inerente), é natural que não meta medo nenhum às audiências dos dias de hoje. Mas há sequências muito boas, e o jogo agora-apanhamos-te/ agora-és-tu-que-nos-apanhas tem a sua piada.

Thumbs up: O fato de borracha do monstro. A paixão da criatura pela Kay (a cena em que nadam “juntos” é das melhores). Se analisarmos isso bem, é estúpido e até um bocado doentio, mas tem o seu encanto. E as cenas subaquáticas são mais que encantadoras - um dos grandes trunfos do filme.

Thumbs down: O fato de borracha do monstro. Creature from the Black Lagoon é um filme sexista. Alguns diálogos entre Kay e o noivo são mesmo terríveis, e Kay parece aceitar muito bem o estereótipo de mulher fraca. Enfim, falta-lhe um bocado de Girl Power. A música da Criatura só tem 3 notas (é verdade), e pode tornar-se um bocado irritante às vezes (ou então fica no ouvido durante duas semanas), porque aparece sempre que o monstro está em cena. Sempre.

Comentário geral: É um clássico. Quem gosta de filmes com monstros e criaturas estranhas vai gostar deste de certeza. Afinal, foi aqui que tudo começou. O Monstro da Lagoa Negra está a par de Frankenstein, Drácula, a Múmia e o Lobisomem.

When a Stranger Calls (1979)

16 Fevereiro, 2008

Have you checked the children?

Uma babysitter recebe chamadas aterrorizadoras de um estranho. Corta. Um assassino fugiu do hospício e é perseguido por um detective. Corta. A continuação da história da babysitter. É uma espécie de dois em um, no formato 0,5 + 1 + 0,5.
Sneak peek aqui.

Ficha Técnica: De Fred Walton, escrito pelo próprio e Steve Feke, com Carol Kane e Tony Beckley.
Título Português: Chamada De Um Estranho

When a Stranger Calls é uma espécie de double feature (e não tem nada ver com grindhouses). Começamos com um bom filme de terror, algo reminescente de Halloween, em que a babysitter se vê bombardeada por telefonemas com uma pergunta insistente: já foste ver como é que estão as crianças?

Claro que ela não foi ver como é que estão as crianças. Sim, é uma babysitter um bocado incompetente. Mas o que interessa é que esses primeiros vinte minutos estão bem feitos e são provavelmente os mais interessantes do filme inteiro. Está provado que conceitos simples – e mitos urbanos – dão pano para mangas, ou se não dão então junte-se um telefone sinistro, um relógio ominoso e uma banda sonora adequada (ainda que por vezes desajeitada) e o resultado não há-de ser mau de todo.

Aqui entra o malfadado “intervalo” e começa um novo segmento. Desta vez o Estranho fugiu do hospital e claro, a polícia anda atrás dele. Um detective decide que aquele caso é “pessoal” e prossegue as suas buscas com a ajuda de uma mulher que por acaso conhece o estranho em questão.

Nesta parte não há terror, e verdade seja dita também não há grande suspense. É um policial, um drama talvez, ou possivelmente algo que se assemelha a um thriller. Não há chamadas assustadoras, apesar de aparecerem em cena vários telefones e uma boa parte deles tocar. A ligação deste segmento ao anterior é fraquinha. Podia ter sido um filme completamente à parte. Um filme à parte um pouco chato.

Acaba este segundo segmento e regressa o filme que pensávamos que íamos ver à partida, com um bocadinho de terror, chamadas telefónicas e, tal como em Halloween, sem sangue.

O problema, como já devem ter adivinhado, é que When a Stranger Calls não é consistente. Se imaginarem uma corda da roupa com coisas a mais penduradas no meio conseguem ter uma ideia da estrutura deste filme. É uma pena. A primeira e a última parte por si só teriam dado um filme de terror interessante (chegou-me aos ouvidos que foi mesmo isso que fizeram no remake de 2006 – foi?).

É preciso paciência para as mudanças abruptas no andamento deste filme (o que admito nem sempre ter) e uma mente aberta: ao contrário do que parece, When a Stranger Calls é mais complexo do que apenas uma babysitter e um telefone. Agora se ao menos fosse mais interessante…