“For the last time, please stop what you’re doing and leave this place!”
“And for the last time, kindly mind your own business.”
Um filme de Terence Fisher, escrito por Jimmy Sangster, com Peter Cushing e Christopher Lee. Trailer.
A Criatura, o Drácula, a criação de Frankenstein, a Múmia, o que têm todos estes em comum? São monstros… apaixonados.
É curiosa esta tendência de dar às feras um lado sensível, e até serve de óptimo pretexto para contratar uma bela actriz e fazer a típica cena em que a donzela desmaia e o monstro a carrega nos braços até ao seu esconderijo secreto. Neste filme a fera sensível é interpretada por Christopher Lee, o constante vilão, que merece aqui ser destacado acima do seu eterno rival de ecrã, Peter Cushing, por dois motivos:
a) passa o filme todo vestido com uma fralda de corpo inteiro, que o faz andar de uma forma muito engraçada. É uma fralda muito convincente, tendo em conta que se estava na década de 50, mas não dá para conter o riso quando a múmia sai do pântano pela primeira vez, naquele andar desajeitado de que não dobra os joelhos. Apesar disto, continua a ser impressionante ver Lee partir portas e irromper janelas adentro como um selvagem.
b) a única parte do corpo de Lee que não está tapada pela fralda gigante são os olhos, e é quase exclusivamente através deles que percebemos a complexidade sentimental do monstro. Christopher Lee é um grande actor — só precisam de ver a intensidade daquele olhar. É incrivelmente triste…
A marca Hammer é evidente em todos os pormenores do filme, logo desde a primeira cena: é o Egipto mais falso que se possa imaginar, evidentemente uma cena de estúdio, com algusn figurantes para dar um ar mais autêntico (através de acções como martelar pedras sem qualquer razão aparente). Mas tudo o que é tosco nesta produção não pode ser visto como nada menos que carinho. Isto é o low budget britânico das décadas de 50 e 60 na sua forma mais pura.
E há que lhes dar algum crédito por terem contratado um egípcio autêntico (ou que parece autêntico), completo com chapéuzinho vermelho (também parece genuíno), que recita pragas assustadoras na língua antiga (ou algo parecido) e mantém um diálogo com a personagem de Cushing que é uma bela coisa de se ouvir: espicaçam-se um ao outro como se as palavras fossem lanças.
Não se pode cair na ilusão de achar que A Múmia vai agradar à maioria dos espectadores de cinema dos dias de hoje. Não vai. Mas é incontornável para quem gosta de uma história em tons góticos e para cinéfilos dedicados. Aqui, mais ainda do que em Drácula, percebe-se porque é que Hammer é sinónimo de clássico.

Horror of Party Beach é um filme quase mítico na sua categoria. Auto-proclama-se “o primeiro musical de monstros” e promete “estranhos monstros atómicos que se alimentam de sangue humano!!!”, monstros esses que se tornaram um autêntico ícone entre os fãs de filmes de culto, provavelmente por serem uma criação bastante 
Joon-Hwan acordou certa manhã com vontade de algo diferente. Então pôs na misturadora a trilogia de vingança de Chan-wook, O Príncipe do Egipto, alguns episódios da Twilight Zone, uma mão decepada, e dois ou três filmes de ficção científica de segunda categoria. Depois ainda juntou A Evolução das Espécies, e uma comédia absurda só porque sim – estava a sentir-se aventureiro. A papa resultante foi trabalhada à boa maneira coreana e deixada a secar de um dia para o outro. E o que nos chega hoje na conveniente forma de DVD – mas não em Portugal; cá não há nada para ninguém – é Save the Green Planet!, um filme estranhamente cativante.

Dragão Vermelho é a “prequela” de Silêncio dos Inocentes. A história passa-se antes de Hannibal conhecer Clarice, mas depois da sua captura. O agente que desmascarou os crimes canibalescos de Hannibal é William Graham, que está agora a trabalhar no caso da Fada dos Dentes, um assassino perverso com uma tendência para morder as suas vítimas.
Mas que banda sonora! Começar um comentário a um filme B com elogios profusos à música é capaz de ser invulgar, mas neste caso não dá mesmo para começar por outro lado. A banda sonora de Barbarella é tão gira que parece de outro mundo. A sonoridade não podia ter vindo de nenhum outra década que não os psicadélicos anos 60. Às vezes é cacofónica, outras aparvalhada, mas sempre muito agradável a ouvidos destemidos. Bom trabalho, Bob Crewe e Charles Fox!
Os musicais são tão raros hoje em dia que é sempre ocasião para festa quando aparece um. E quando é um musical de terror, um musical de terror trágico, por Júpiter, estarei a sonhar? Parece bom de mais para ser verdade. O problema é que é mesmo. Não há rosas sem espinhos, é um facto.
